Um dos equívocos mais comuns que os gestores fazem quando falam sobre Empresa 2.0 é reduzir esta abordagem a um mero conjunto de ferramentas de colaboração da Web 2.0. É crítico para as pessoas entenderem que, durante a importação dessas plataformas colaborativas da internet, nós também importamos uma cultura subjacente digital que vai modificar profundamente a organização do trabalho. E essas mudanças envolvem os princípios da gestão. 10 dos quais são descritos abaixo:
1 Conversação (Vs Broadcast)
Assim como a mídia tradicional condicionou a audiência a serem consumidores passivos – primeiramente através de mensagens comerciais, então produtos – a organização tradicional condicionou os trabalhadores a serem obedientes cumpridores de ordens de trabalho burocraticamente disseminadas. Ambas são formas de transmissão: poucos ditando o comportamento de muitos. A mentalidade de transmissão de massa não morre de nenhuma forma. Apenas torna-se suicida. (Christopher Locke no Cluetrain Manifesto)
A mídia baseada em conversações abertas mudou irrevogavelmente, não só a nossa cultura digital, mas também o modo como compreendemos as relações sociais. Será cada vez mais difícil para nossa administração fazer-nos aceitar uma comunicação de mão única (de cima para baixo), enquanto nós usamos a comunicação bi-direcional em nossa vida todos os dias. Reduzir a nossa contribuição para a comunicação organizacional a 5mns Q&A (práticas de gestão) no fim das reuniões gerais será insustentável.
2 Baixo para cima (Vs cima para baixo)
É sobre o mesmo dito acima, até a escolha de tecnologias está em questão quando se trata de desenvolver novos produtos / serviços. Como Tim Bray disse: Decisões sobre tecnologias-chave agora são tomadas pelos desenvolvedores, e não por líderes na volta do campo de golfe.
Esta tendência é semelhante à dos trabalhadores da Toyota em linhas de montagem. Nesta empresa, reconhecida mundialmente por seus processos surpreendentes, a contribuição do empregado para a inovação é permanente:
A média de contribuição de um empregado da Toyota equivale a mais de 100 ideias de melhorias a cada ano. Rapidamente chega-se a milhares de ideias. Certamente a maioria destas ideias são incrementais, na verdade, provavelmente a maioria delas nem sequer são idéias novas. Mas enquanto as ideias são importantes, ainda mais importante é a cultura em que este espírito se nutre.
Não é só uma questão de inovação, mas também de reconhecimento, gratificação e compromisso com o trabalho. Isto é Gestão pura.
3 Reputação (Vs Hierarquia)
Outro aspecto fundamental na cultura participativa importada da Internet é o conceito de reputação. Na Empresa 1.0, o título do trabalho encarna o status do funcionário dentro da empresa. Esse conceito é substituído na cultura da Internet por Reputação, ou seja, a avaliação quantificada da participação do indivíduo por seus pares.
Isto aumenta significativamente o escopo de referência para a avaliação das habilidades das pessoas, dos limites da empresa para toda a Internet. A consequência é que a reputação construída por um funcionário na intranet e na internet terá de ser levada em conta, de uma forma ou de outra, dentro da empresa.
Por outro lado, a hierarquia de poder concedido não será necessariamente reconhecida entre os empregados, se não for validada por uma reputação significativa na intranet / internet. Este é o Poder Concedido Vs Poder Agregado. Questão discutida por Scott Berkun no capítulo Trust do livro The Art of Project Management.
3 Emergência (Vs Estrutura)
Existe esta afirmação inquestionável: A Web funciona. A Web foi construída sem uma estrutura pré-determinada. Soluções inesperadas que surgiram naturalmente e foram massivamente adotadas. Isto também é chamado de Serendipidade (significa a capacidade de fazer descobertas importantes ao acaso).
Como exemplo, o hipertexto tem naturalmente promovido a relevância do Google e ajudou a classificar a web. Ninguém tem escrito no Web_Guia_do_Usuário.doc que sempre ao publicar na web temos que fazer links para outras páginas. Isso acabou acontecendo naturalmente e moldou a Internet como a conhecemos.
4 Folksonomia (Vs Taxonomia)
Da mesma forma, a Folksonomia tem naturalmente tomado precedência sobre a Taxonomia quando começou a classificar o oceano de informações disponíveis na web. Isto é, segundo a Wikipedia, um sistema de classificação que deriva da prática e método de colaboração, criar e gerenciar etiquetas (tags) para anotar e categorizar conteúdos realizado por não-especialistas, ao invés de uma classificação rigorosa e estruturada.
A vantagem da folksonomia é que a informação é classificada de acordo com seu conteúdo, com etiquetas (tags) que qualquer um pode escolher. Enquanto com a taxonomia, as informações são classificadas de acordo com sua localização. Folksonomia tem duas vantagens: a) encontramos partes de informação com mais facilidade e, b) nas plataformas de colaboração, estas etiquetas nos ajudam a encontrar rapidamente as pessoas que partilham interesses comuns.
Se você pensar sobre isso verá que faz sentido: quando colocamos a nossa informação em ordem, desejamos encontrar as informações rapidamente depois. E não é construir uma árvore harmoniosa e lógica de informações.
5 Agilidade (Vs Burocracia)
Gerenciamento ágil de projetos (com foco na transparência, colaboração, gerenciamento visual, simplicidade e confiança) contribui muito para absorver as mudanças inevitáveis que ocorrem durante o ciclo de vida de um projeto.
Da mesma forma, a Empresa 2.0 precisa de uma organização ágil, que permita absorver o surgimento de novas ferramentas, práticas e relacionamentos. Entre outras coisas, esta organização aberta permite a emergência e promove a inovação.
Agilidade também atende às demandas da cultura interconectada, ou seja, o pragmatismo radical (para citar Alexander Bard) e a obsessão em Getting Things Done (fazer acontecer).Produtividade em vez de processos, rapidez de execução em vez de lentidão burocrática, lançamentos freqüentes, etc.
6 Transparência (Vs Segurança)
Antes de qualquer coisa, vamos ter certeza de que compartilham o mesmo entendimento de que tipo de informações sobre a empresa que aplicamos a transparência. Ele obviamente não se aplica aos pedaços sensíveis e confidenciais das informações. Mas a qualquer outro.
A fala com gerentes ajuda a revelar o medo inicial que isso inspira. Segundo os gestores, isso pode deixar emergir a fraqueza de suas equipes e / ou de si próprios.
A questão é: quando honestamente ocorridos em um contexto de confiança e de resposta rápida, esses erros e potenciais problemas ajudam a dar um rosto humano e criar verdadeiros laços entre as equipes. Como Herman Melville coloca:
“Vamos falar, embora mostremos as nossas faltas e fraquezas – é um sinal de força parecer fraco, para conhecer a fraqueza, e eliminar ela …”
Por outro lado, a tentação de segurança, de construção de silos de conhecimento acessados através de algoritmos complexos que regem os direitos de acesso podem contribuir para adicionar atrito, para retardar a difusão do conhecimento e para nutrir um sentimento de paranóia. Que não é bom para o moral da equipe.
7 Redes Interligadas (Vs Silos)
Transparência é sobre o compartilhamento de informação, em ambos os eixos vertical e transversal da organização. Esta comunicação multidirecional ajuda a fomentar a eficiência, pois garante que os funcionários sabem o que as prioridades e as estratégias de negócio significam. Além disso, também alimenta a inovação através da utilização de Laços Fracos de Mark Granovetter (ver Apresentação Empresa 2.0 ).
Além disso, o aumento do escopo de conhecimento dos colaboradores para as atividades da empresa como um todo, lhes permite dar um sentido à sua contribuição profissional. Este é um combustível para o compromisso colaborador.
8 Simplicidade (Vs complexidade)
Ágilidade é focada na condução para a simplicidade ao invés de criar sistemas que gerem a complexidade (Mike Cottmeyer et V. Lee Henson, The Agile Business Analysit Agile).
Simplicidade é um princípio ágil fundamental e organização ágil é um componente crítico da Empresa 2.0. Portanto, é necessário resistir aos encantos misteriosos e intelectualmente estimulantes da complexidade em soluções potenciais processos/organização. O objetivo é buscar a simplicidade na implementação de redes sociais na empresa.
9 Tecnologias centradas no usuário (Vs Governança de TI)
Uma das principais característica identificada por Andrew McAfee em sua apresentação sobre Empresa 2.0 é o conceito de ferramentas simples e de fácil acesso.A usabilidade tornou-se o principal critério de qualidade contra os quais julgamos as aplicações online. A principal diferença entre as aplicações da Internet (Facebook, etc …) e intranet: a percentagem do orçamento gasto em design e usabilidade: cerca de 10 vezes mais para as aplicações da Internet.
Novamente, será cada vez mais difícil impor ferramentas anti-ergonômicas na intranet e com baixa usabilidade para as pessoas que usam o Twitter ou Facebook no dia a dia fora da organização. A principal razão é que os aplicativos desenvolvidos, sem preocupações de usabilidade não são nem agradáveis de usar, nem produtivos.
10 Confiança (Vs Controle)
Este é o princípio básico que determina todos os outros.
Sem confiança não pode haver transparência nas informações.Não pode haver uma organização flexível o suficiente para permitir a emergência acontece. Não pode haver uma comunicação aberta e de baixo para cima.
Sem confiança, a Gestão só triunfará na implementação de processos complexos para definir o escopo inflexível das responsabilidades dos trabalhadores do conhecimento. Sem confiança, não é possível estabelecer uma organização que aproveita a agilidade, velocidade (veja o livro de Stephen Covey Jr.) e produtividade oferecido pela rede.
Sem confiança, a Gestão não vai abandonar a estratégia de comando e controle. E o espaço necessário para a efetiva implementação de ferramentas colaborativas nunca vai aparecer.
Tradução e adaptação do original disponível em: http://socialcomputingjournal.com/
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