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Design Justice – Community-Led Practices to Build the Worlds We Need

Design Justice – Community-Led Practices to Build the Worlds We Need

Design Justice é um livro sobre a relação entre design e poder — e sobre como objetos, interfaces, plataformas, espaços e instituições “distribuem” benefícios e danos de forma desigual na sociedade. Sasha Costanza-Chock parte de experiências concretas (no cotidiano e em movimentos sociais) para mostrar que muitos sistemas são projetados como se existisse um “usuário padrão” — e que esse padrão costuma refletir normas de branquitude, cisgeneridade, capacitismo e classe, invisibilizando quem vive nas margens.

O argumento central é que design não é apenas estética, conveniência ou inovação: é um mecanismo de governança. Ele molda quem pode circular, quem pode falar, quem é visto como “normal”, quem precisa “se explicar” para acessar um serviço — e quem paga o custo das “falhas” de produtos e políticas. Por isso, o livro propõe “design justice” como um quadro crítico e prático para avaliar como o design reforça ou desafia aquilo que a autora chama de “matriz de dominação”.

A obra também desloca a conversa de “diversidade” no setor de tecnologia para um ponto mais exigente: responsabilização e controle comunitário. Em vez de só “incluir” pessoas diversas em processos liderados por instituições, o livro sustenta que as pessoas diretamente afetadas pelas consequências do design devem ter voz, poder e propriedade sobre decisões e resultados.

Para construir esse caminho, Costanza-Chock organiza o livro em cinco dimensões: valores (o que está embutido nos sistemas), práticas (quem decide e como), narrativas (quem recebe crédito e como a história é contada), lugares (onde o design acontece) e pedagogias (como se aprende e se ensina). A autora percorre casos emblemáticos: da leitura crítica das “affordances” e vieses até as histórias apagadas de inovações vindas de movimentos sociais, passando por hackerspaces, hackathons e experiências comunitárias como as DiscoTechs.

Ao final, o livro não fecha com “receitas”, mas com um convite: fortalecer uma comunidade de práticas capaz de reimaginar o design como construção coletiva de mundo, com foco em justiça social e sustentabilidade — e em mecanismos para que a justiça não seja um adereço, mas a espinha dorsal do projeto.

Introdução: #TravelingWhileTrans, Design Justice, and Escape from the Matrix of Domination

O texto do sumário.
A introdução começa com um episódio de aeroporto: o scanner corporal exige que um agente selecione “Male” ou “Female”, e qualquer corpo que não se encaixe nos padrões binários é marcado como “anômalo” e “arriscado”. A autora usa essa cena para mostrar, com precisão desconfortável, como normas sociais (cisnormatividade, racialização, capacitismo) são traduzidas em interfaces, bases de dados, modelos e protocolos. Daí ela amplia o foco: se esse viés aparece num scanner, ele também atravessa sistemas de IA, plataformas e políticas públicas que “automatizam” decisões.

Em seguida, Costanza-Chock apresenta a Design Justice Network e seus princípios como um documento vivo: design deve centrar pessoas diretamente afetadas, priorizar impacto comunitário sobre intenção do designer, valorizar processos colaborativos e conhecimentos locais e indígenas, entre outros. A introdução também estabelece os dois pilares teóricos que sustentam o livro: interseccionalidade e matriz de dominação, como lentes para enxergar por que “um ajuste técnico” quase nunca resolve desigualdades estruturais.

Ponto central:
Design justice é uma forma de analisar e praticar design perguntando: quem ganha, quem perde e quem decide — e como sistemas reproduzem (ou enfrentam) estruturas de dominação.

Exemplos marcantes:

  • O caso do aeroporto, em que a UI força o binário e produz a “anomalidade” como resultado de projeto sociotécnico (interface + algoritmo + treinamento + protocolo). (ver introdução, início do livro)

  • A formulação dos Princípios da Design Justice Network como resposta coletiva: centralizar impactados e olhar para o que já funciona na comunidade. (princípios aparecem na introdução)

Conexão com a ExtraLibris:
A introdução dialoga diretamente com Curadoria Figital quando trata design como mediação de acesso: quem é reconhecido pelo sistema, quem fica “fora do menu”, quem precisa negociar a própria existência para prosseguir. Para a ExtraLibris, isso vira critério curatorial: mapear, no catálogo e na experiência figital, quais públicos são pressupostos, quais são invisibilizados, e como a curadoria pode reequilibrar poder — não só descrevendo a obra, mas desenhando um percurso de leitura acessível, situado e comprometido com quem é mais afetado.

Capítulo 1: Design Values: Hard-Coding Liberation?

O texto do sumário.
O capítulo começa com a organização de um protesto trans*, queer e de solidariedade a imigrantes em Boston — e com o uso do Facebook como ferramenta de mobilização rápida. A autora reconhece o poder da plataforma para convocar e medir adesão, mas evidencia seu limite para o trabalho organizativo essencial: transformar presença pontual em engajamento contínuo, devido a escolhas de design (algoritmo de feed, barreiras para contatar participantes, incentivo ao impulsionamento pago). A pergunta que fica é incisiva: por que tantas tecnologias são projetadas para capturar atenção e monetizar comportamento, e não para sustentar vínculos, cuidado e ação coletiva?

A partir daí, Costanza-Chock revisita um conceito clássico do design — affordances — para criticar sua tradição “universalizante”. O que para uns é óbvio e acessível, para outros é opaco, indisponível ou hostil. O capítulo introduz também disaffordances (bloqueios) e dysaffordances (quando a pessoa precisa “se falsificar” para usar um sistema, como o binário de gênero). Com isso, design justice transforma affordance em pergunta política: affordance para quem?.

Por fim, o capítulo aproxima esses efeitos de experiências de microagressão: pequenos atritos repetidos que lembram diariamente a certas pessoas que o mundo “não foi feito para elas”. E propõe uma virada: não basta buscar “ausência de viés” (como em algumas vertentes de value-sensitive design). É preciso reorientar valores, instrumentos e testes para perceber e corrigir distribuições desiguais de custo cognitivo, acesso e risco — e, em certos casos, recusar projetos que aprofundam opressões.

Ponto central:
Affordances não são neutras: elas são desigualmente perceptíveis e disponíveis, e o design costuma codificar valores da matriz de dominação. Design justice pede reengenharia ética: do conceito ao método.

Exemplos marcantes:

  • Protesto organizado com Facebook: a plataforma convoca, mas dificulta “subir a escada” do engajamento (contato com participantes, continuidade pós-evento). (início do cap. 1)

  • A noção de dysaffordance: sistemas que exigem que certas pessoas se encaixem em identidades falsas para prosseguir (como binário de gênero). (cap. 1)

Conexão com a ExtraLibris:
Na Curadoria Figital, o capítulo ensina a ler plataformas e conteúdos como “arquiteturas de possibilidade”. Para a ExtraLibris, isso se traduz em: (1) identificar barreiras invisíveis na experiência do catálogo (linguagem, navegação, pressupostos de público); (2) tratar acessibilidade não como “extra”, mas como valor de base; e (3) desenhar a mediação figital para reduzir carga cognitiva e ampliar agência do leitor, sobretudo de públicos historicamente marginalizados.

Capítulo 2: Design Practices: “Nothing about Us without Us”

O texto do sumário.
Aqui o foco muda de “o que o design embute” para “quem faz e controla o design”. A autora critica a ideia de que basta aumentar diversidade em equipes para resolver injustiças. O ponto mais forte é o deslocamento: de equidade simbólica (representação) para responsabilização e controle comunitário (poder real de decisão). Design justice exige que pessoas diretamente afetadas liderem processos, governem prioridades e tenham capacidade de veto.

O capítulo revisa tradições participativas (participatory design, user-led innovation, feminismos em HCI) e reconhece seus avanços — mas insiste que muitas práticas “participativas” continuam sendo consultivas, com poder final retido por designers profissionais. Design justice, ao contrário, se aproxima de organização comunitária: trabalha em solidariedade com organizações de base e parte da premissa de que onde existe opressão, já existe resistência e soluções em germinação.

A autora ancora isso em evidências do projeto #MoreThanCode, que reuniu entrevistas e grupos focais com praticantes de tecnologia para justiça social. A recomendação mais destacada: adotar métodos de co-design com mecanismos concretos de accountability, como conselhos comunitários com poder de governança.

Ponto central:
“Nada sobre nós sem nós” não é slogan: é uma regra de projeto que redefine propriedade, decisão e sucesso. O melhor “ingrediente” do design justice é controle por quem vive as consequências.

Exemplos marcantes:

  • A noção de design justice como forma de organização comunitária, trabalhando com CBOs e perspectiva de ativos comunitários.

  • Resultados do #MoreThanCode: entrevistas e recomendação explícita de co-design e mecanismos de accountability (como conselhos comunitários).

Conexão com a ExtraLibris:
Para a ExtraLibris, este capítulo reforça que curadoria figital não é só selecionar títulos: é desenhar processos de escuta e devolutiva. Isso implica criar mecanismos pelos quais comunidades leitoras (especialmente as mais afetadas por exclusões) participem da construção do catálogo: escolhas de categorias, linguagem descritiva, mediações, recursos de acessibilidade e avaliação de impacto. A curadoria deixa de ser “sobre o público” e passa a ser “com o público”.

Capítulo 3: Design Narratives: From TXTMob to Twitter

O texto do sumário.
Este capítulo trata do poder das histórias que contamos sobre inovação. Costanza-Chock confronta a “origem oficial” do Twitter — um lampejo genial no Vale do Silício — com a genealogia ativista que passa por IRC, práticas de coordenação em protestos e ferramentas como TXTMob, usadas para comunicação rápida e segura em contextos de repressão. O argumento não é “tirar mérito” de empresas, mas mostrar que narrativas dominantes apagam coletivos, movimentos e “usuários avançados” que inventam por necessidade.

A autora amplia o debate: crédito e atenção são recursos escassos e distribuídos de forma desigual pela matriz de dominação. Assim, design justice exige atribuição justa e também um ajuste de lente: inovação é ecossistêmica, e movimentos sociais são laboratórios históricos de técnica e cultura — muitas vezes apropriados depois, já desconectados de sua intenção emancipatória.

No final, o capítulo conecta narrativa a método: como definimos um “problema” e como “escopamos” um desafio de design pode funcionar como máquina de despolitização (o problema aparece como técnico, quando é estrutural). A saída proposta é migrar de abordagens deficitárias para abordagens baseadas em ativos comunitários, com liderança comunitária já na definição do desafio.

Ponto central:
Quem conta a história do design define quem parece capaz de construir futuro. Design justice disputa narrativa para redistribuir atenção, crédito e poder de enquadramento.

Exemplos marcantes:

  • O funcionamento do ecossistema ativista no RNC 2004 e a descrição do TXTMob como ferramenta SMS para coordenação e informação em protesto.

  • A conclusão explícita: “TXTMob e Twitter” como exemplo de inovação de movimento depois absorvida pela indústria.

Conexão com a ExtraLibris:
No trabalho figital, narrativa é parte da curadoria: sinopses, categorias, destaques e “como contamos” um livro moldam o que ele pode fazer no mundo. Este capítulo inspira a ExtraLibris a praticar uma curadoria que reconhece linhagens invisibilizadas, cita comunidades e contextos, e evita a “história única” (do gênio, da solução, da neutralidade). Em catálogo interativo, isso significa criar camadas: origens, disputas, apropriações e impactos, para que a leitura seja também reparação de memória.

Capítulo 4: Design Sites: Hackerspaces, Fablabs, Hackathons, and DiscoTechs

O texto do sumário.
Aqui o design é observado pelo ângulo do “onde”: espaços e eventos que viraram símbolos de inovação — hackerspaces, makerspaces, fablabs e hackathons. A autora reconhece o valor de democratizar ferramentas e competências, mas mostra como esses espaços frequentemente reproduzem exclusões: acabam dominados por homens brancos cis, por pessoas com tempo livre e renda, e por uma cultura empreendedora que transforma criação em currículo pessoal e não em transformação coletiva.

O capítulo descreve um deslocamento histórico: de hacklabs com ligações políticas e comunitárias para ambientes capturados por discursos de startup, parcerias institucionais e até interesses corporativos e militares. A crítica não é moralista; é estrutural: sem intervenção intencional, o “site de inovação” vira apenas mais um nó do mesmo sistema.

A autora destaca caminhos alternativos: iniciativas que reorientam os espaços para a comunidade e para justiça — como as DiscoTechs (feiras comunitárias de tecnologia), além de eventos como CryptoParties e hackathons com recortes específicos. Mas o ponto final é exigente: diversidade de participantes, sozinha, não basta; é preciso relinkar esses sites a redes de movimentos sociais e a análises compartilhadas de poder.

Ponto central:
O lugar do design é político: espaços e eventos podem ser incubadoras de justiça ou de captura neoliberal. Design justice pede sites comunitários, acessíveis e conectados a movimentos.

Exemplos marcantes:

  • A descrição das DiscoTechs e sua difusão como modelo de evento “community-centric”.

  • A crítica à captura de espaços por agendas institucionais e a necessidade de análise da economia política do “fazer”.

Conexão com a ExtraLibris:
Este capítulo ajuda a ExtraLibris a pensar a “estante figital” como um site de design — um espaço (digital e físico) onde se aprende, se encontra, se cria sentido. A curadoria pode funcionar como uma DiscoTech permanente: acessível, acolhedora, ligada a redes e necessidades reais, e não apenas vitrine. Em prática: promover encontros, trilhas, recursos de leitura guiada e participação do público como coautor do espaço.

Capítulo 5: Design Pedagogies: “There’s Something Wrong with This System!”

O texto do sumário.
O capítulo final explora como ensinar e aprender design justice, defendendo “pedagogias” no plural. A base é a educação popular (Paulo Freire) e a ideia de praxis: reflexão e ação para transformar o mundo, não para “depositar conhecimento”. A autora conecta essa tradição a pedagogias críticas e a experiências de ensino de design e tecnologia que valorizam contexto, afetos, ética e ação coletiva.

A parte mais concreta vem de relatos do Civic Media: Codesign Studio (MIT), onde estudantes trabalham com organizações comunitárias e percebem que “o sistema” (em sentido literal e social) produz injustiças. Um caso emblemático mostra como um projeto de design pode ser usado para educar e mobilizar: jogos adaptados para comunicar desigualdade no mercado de habitação e apoiar campanhas de direito à cidade.

O capítulo também aproxima a pedagogia de design justice de iniciativas como Data Feminism, explicitando princípios: escutar os mais afetados, respeitar conhecimento situado, tornar visível a política do que é contado, e ensinar ética sem separar emoção de razão.

Ponto central:
Ensinar design justice é ensinar a ver a injustiça como “erro sistêmico” e a responder com praxis comunitária — aprendendo com quem vive o problema.

Exemplos marcantes:

  • O projeto Change the Game (jogos de carnaval remixados) para discutir desigualdade habitacional e fortalecer campanhas comunitárias; e o impacto emocional/político em sala de aula.

  • A fundamentação em educação popular freiriana (crítica ao “modelo bancário” e defesa de praxis).

Conexão com a ExtraLibris:
A ExtraLibris pode tratar cada estante figital como uma sala de aula aberta: não para “explicar” livros de cima para baixo, mas para criar condições de aprendizagem situada. Este capítulo sugere curadorias com atividades, perguntas e percursos que conectem leitura a ação: clubes, trilhas temáticas, registros de experiência do leitor, e espaços de devolutiva comunitária. Em vez de “conteúdo pronto”, a curadoria vira praxis editorial.

Direções para Trabalho Futuro: From #TechWontBuildIt to #Designjustice (seção de fechamento)

O texto do sumário.
O encerramento assume que design justice é mais agenda do que conclusão: tensiona processo versus resultado, discute recusa (quando “não construir” é a decisão justa) e aponta necessidades de expansão para campos como arquitetura, planejamento urbano, moda e avaliação de impacto. A seção também conecta design justice a movimentos como #TechWontBuildIt e a formas de organização econômica como cooperativismo de plataforma, chamando atenção para infraestrutura institucional e recursos de longo prazo (não só projetos pontuais).

Ponto central:
Design justice é uma prática em construção: exige ferramentas, instituições, políticas e recusas estratégicas, não apenas boa vontade.

Exemplos marcantes:

  • A nomeação explícita do #TechWontBuildIt como eixo de futuro e a ideia de que há casos em que justiça significa não projetar.

Conexão com a ExtraLibris:
Para a ExtraLibris, “trabalho futuro” se traduz em governança curatorial contínua: revisão periódica de categorias, linguagem e acessibilidade; métricas que não sejam só cliques, mas impacto e inclusão; e disposição para dizer “não” a escolhas editoriais que reforcem exclusões. A curadoria figital, como o design justice, é um compromisso de longo prazo com mundos onde “muitos mundos caibam”.


LUGAR: Crítica da Inteligência Artificial

Figiteca