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Automation and the Future of Work

Automation and the Future of Work

Automation and the Future of Work desmonta a narrativa popular de que “os robôs estão tomando nossos empregos” e propõe uma inversão de foco: o problema central do capitalismo contemporâneo não é a aceleração tecnológica, mas a falta crônica de demanda por trabalho — “há poucos empregos para gente demais”. Essa escassez de trabalho aparece em sintomas conhecidos: recuperações econômicas sem empregos, estagnação salarial, insegurança ocupacional e crescente desigualdade.

Benanav argumenta que a explicação “automação → desemprego em massa” falha justamente onde deveria ser mais evidente: nos dados de produtividade. Em vez de um salto de produtividade (que sustentaria a tese de automação desenfreada), o que se observa é desaceleração do crescimento, relacionada a décadas de sobre-capacidade industrial e ao enfraquecimento do motor manufatureiro — aquilo que ele aproxima de “long downturn”/“estagnação secular”.

Com isso, o livro reposiciona o debate: não é a tecnologia “em si” que expulsa permanentemente pessoas do trabalho; é um cenário de crescimento fraco, investimento baixo e competição global sufocante que reduz a criação de empregos. No lugar de um colapso visível em “taxas de desemprego” o tempo todo, a crise se expressa como subemprego e precarização: as pessoas trabalham “a qualquer custo”, em ocupações de baixa proteção e baixa remuneração.

A crítica alcança também as “soluções-bala de prata” — especialmente a renda básica universal (UBI), frequentemente apresentada como a resposta inevitável ao futuro automatizado. Para Benanav, sem mexer no coração do problema (sobre-capacidade, estagnação e poder do capital), reformas podem acabar estabilizando uma sociedade ainda mais desigual, em vez de abrir caminho para liberdade real.

Por fim, o livro propõe um horizonte político: um mundo pós-escassez não depende de “automatizar tudo”, mas de reorganizar a vida material de modo que ninguém seja condenado à drudgery para que outros sejam livres — isto é, compartilhar o trabalho necessário, assegurar provisões universais e ampliar o “reino da liberdade”. E isso não virá automaticamente da técnica: depende de movimentos sociais capazes de impor outra arquitetura de vida.

Capítulo 1: The Automation Discourse

Benanav começa pelo “clima cultural” da automação: fábricas “lights out”, IA, robôs espetaculares — e, junto com isso, o medo de que o trabalho humano se torne dispensável. Ele mostra como esse imaginário se consolidou numa teoria social influente com quatro teses: (1) máquinas já estariam deslocando trabalhadores; (2) caminharíamos para uma sociedade amplamente automatizada; (3) isso poderia virar pesadelo porque a renda depende do trabalho; (4) logo, seria necessária uma renda básica universal para evitar colapso social.

O capítulo também “historiciza” o pânico: o discurso da automação reaparece em ondas (século XIX, 1930s, 1950s, 1980s, 2010s). Em vez de ser mera repetição tola, ele funciona como um termômetro social: quando o mercado de trabalho falha em oferecer empregos suficientes, cresce a necessidade de explicar e imaginar saídas. O ponto crítico do autor é que a ansiedade é real — “poucos empregos para muita gente” — mas a causa apontada (tecnologia desenfreada) pode ser uma leitura invertida do problema.

Ponto central: o “discurso da automação” é menos uma descrição fiel do presente e mais uma forma recorrente de a sociedade pensar seus limites quando a demanda por trabalho cai.

Exemplos marcantes: a própria lista de “visões recorrentes” de automação na história e a ideia de que o mercado depende de trabalho assalariado para funcionar (o argumento clássico de que, se o trabalho humano some, some também a demanda efetiva).

Capítulo 2: Labor’s Global Deindustrialization

Aqui o autor vai ao “caso-modelo” usado pelos alarmistas da automação: a manufatura. Sim, a manufatura emprega menos gente — mas Benanav mostra que, em muitos países ricos, a produção industrial não caiu em volume; o que mudou foi a relação entre crescimento do output e crescimento da produtividade. Quando o output cresce devagar e a produtividade cresce um pouco mais rápido, o emprego cai mesmo sem “revolução robótica”.

A chave explicativa do capítulo é a sobre-capacidade global: mercados industriais lotados, competição intensa, preços deprimidos, queda de lucros e investimento — e, com isso, desaceleração do crescimento manufatureiro no mundo. O resultado é uma onda global de desindustrialização (inclusive “prematura” no Sul global), não como efeito direto de robôs, mas como efeito de um sistema que replicou capacidades produtivas e ficou “grande demais” para crescer como antes.

Ponto central: desindustrialização é, sobretudo, desaceleração do crescimento industrial num mundo de sobre-capacidade, e não prova de automação acelerada.

Exemplos marcantes: o argumento de que o crescimento mundial da produção manufatureira caiu drasticamente ao longo das décadas (com destaque para o pós-2008), mudando a base sobre a qual “parece” que a produtividade está disparando.

Capítulo 3: In the Shadow of Stagnation

Depois da manufatura, o autor amplia para a economia como um todo: quando o motor industrial perde dinamismo, nada aparece para substituí-lo como motor de crescimento. O efeito é a desaceleração do PIB e do investimento — e, com menos investimento, também desacelera a produtividade. Ou seja: a economia não está “explodindo em inovação”; está patinando, e isso reduz a criação de empregos.

Benanav critica a lógica invertida do discurso da automação: ao ver o “aperto” entre crescimento e produtividade, muitos concluem “produtividade demais”; ele sugere “crescimento de menos”. O capítulo também chama atenção para o caráter dirigido da tecnologia: em sociedades capitalistas, pesquisa e inovação seguem trilhas de rentabilidade e controle, não trilhas de libertação humana. Assim, a promessa de que a técnica naturalmente levará a um mundo pós-trabalho é mais fantasia política do que diagnóstico histórico.

Ponto central: o declínio da demanda por trabalho é melhor explicado pela estagnação (crescimento e investimento fracos) do que por um salto tecnológico.

Exemplos marcantes: a evidência de que, após 1973, o crescimento manufatureiro passa a “puxar menos” a economia e o PIB desacelera junto, mostrando o esgotamento do motor.

Capítulo 4: A Low Demand for Labor

Este capítulo desloca o foco do “desemprego” para o subemprego. Mesmo com baixa demanda por trabalho, as taxas formais de desemprego podem cair, porque pessoas não conseguem ficar sem renda: aceitam qualquer ocupação disponível, com menos horas, menos proteção e piores condições. O sistema “se adapta” não eliminando trabalho, mas rebaixando-o.

O autor descreve como regimes trabalhistas moldam esse processo: onde proteções são fracas, a precariedade tende a se difundir; onde há mais proteções, cria-se uma divisão entre “protegidos” e “não padronizados” (temporários, parciais, contratos frágeis). No Sul global, a precariedade assume escala ainda maior via informalidade e baixa cobertura de benefícios, o que “achata” estatísticas clássicas e torna a precarização o idioma dominante do mundo do trabalho.

Ponto central: a crise do trabalho tende a aparecer como futuro sem bons empregos, não como “futuro sem empregos”.

Exemplos marcantes: a ideia de que o sistema já encontrou um modo de acomodar o deslocamento de trabalho: a expansão de ocupações mal pagas e inseguras, com desigualdade crescente.

Capítulo 5: Silver Bullets?

Benanav avalia as soluções “milagrosas” que ganham força quando o trabalho entra em crise. Ele começa situando por que respostas fáceis seduzem: a precarização e a desigualdade alimentam atomização e ressentimento, abrindo espaço para nacionalismos econômicos — que ele trata como atalhos incapazes de resolver uma crise de escala global. Em seguida, ele reposiciona o debate: se a causa real é sobre-capacidade e subinvestimento, qualquer solução precisa enfrentar essa estrutura, e não apenas administrar seus sintomas.

Um movimento crítico do capítulo é recuperar o lugar do keynesianismo: a ideia de que estímulos e investimento público poderiam elevar o crescimento e “absorver” o excedente de força de trabalho. Mas ele observa que, do fim dos anos 1970 em diante, muitos governos já recorreram a políticas de dívida e gestão de crise — e que, sem resolver a lógica estrutural da estagnação, isso vira mais um ciclo de remendos (e, frequentemente, austeridade depois). A promessa tecnocrática da UBI entra nesse mesmo exame: ela pode aliviar sofrimento, mas não garante, por si, um mundo pós-escassez — e pode, em certos arranjos, apenas sustentar uma sociedade profundamente desigual.

Ponto central: “balas de prata” (nacionalismo, UBI isolada, estímulos sem estratégia) tendem a administrar a crise; o desafio é transformar as condições que produzem baixa demanda por trabalho.

Exemplos marcantes: a insistência do autor de que qualquer solução séria deve mirar o núcleo: décadas de sobre-capacidade e subinvestimento — isto é, a mecânica que trava crescimento e emprego.

Capítulo 6: Necessity and Freedom

No capítulo mais filosófico e propositivo, Benanav constrói um “ensaio de mundo” pós-escassez em que o centro não é a automação total, mas a segurança material universal e a reorganização do tempo. Abundância aqui é tratada como relação social: um princípio segundo o qual a existência de alguém não fica em jogo nas suas relações — o que muda a pergunta fundamental de “como sobreviver?” para “o que fazer com o tempo que estou vivo?”.

A arquitetura proposta separa “reino da necessidade” (trabalho reprodutivo e infraestruturas indispensáveis) e “reino da liberdade” (atividades voluntárias, associações, criação). O pulo do gato é político: para que ninguém seja sacrificado à drudgery, é preciso compartilhar o trabalho necessário, reduzir a carga individual e transformar o próprio caráter dessas tarefas (inclusive rompendo hierarquias entre trabalho pago/não pago e reimaginando produção-consumo como ciclo). Tecnologias podem ajudar, mas não como destino automático; elas precisam ser reapropriadas e redesenhadas para fins emancipatórios.

Ele também toca em um ponto delicado: “pós-trabalho” é rótulo insuficiente. Com segurança e tempo, as pessoas não viram simplesmente consumidoras de lazer; elas buscam projetos, vínculos e criações — inclusive formas novas de fazer tarefas comuns com menos sofrimento. O horizonte é uma sociedade de associações voluntárias e inovação humana, onde coordenação (inclusive digital) organiza necessidades sem a chantagem do mercado.

Ponto central: liberdade não nasce do “fim do trabalho”, mas de uma reorganização coletiva da necessidade para que o tempo livre (e a dignidade) seja universal.

Exemplos marcantes: (1) a tese de que abundância é relação social, não “cornucópia tecnológica”; (2) o desenho necessidade/liberdade; (3) o imperativo de repartir o trabalho que permanece.

Postscript: Agents of Change

O posfácio retoma a pergunta decisiva: se nem a tecnologia nem reformas tecnocráticas levam “naturalmente” a um mundo pós-escassez, quem empurra a história? Benanav critica a tendência do discurso da automação de subestimar lutas existentes e de cair em desalento com o que chama de “folk politics”. Ele reconhece a derrota histórica de movimentos trabalhistas tradicionais, mas aponta rachaduras no imobilismo: após 2008, houve ondas de greves e protestos em vários continentes, com pico de mobilizações globais em 2019, reagindo a desigualdade, insegurança, corrupção e austeridade.

Ao mesmo tempo, ele adverte: movimentos de hoje não serão réplicas das antigas organizações industriais — vivemos numa economia de serviços e numa era em que o trabalho direto pesa menos “no núcleo” produtivo. Isso muda sujeitos, formas e táticas; a luta passa a ser, em grande medida, sobre as consequências do fim do motor industrial (estagnação, precarização, desigualdade), e não sobre a promessa ascendente da industrialização.

Ponto central: o futuro não será “implantado” por inevitabilidade tecnológica; ele depende de forças coletivas capazes de impor reestruturações.

Exemplos marcantes: a enumeração de ondas de protestos e greves pós-2008, culminando nas mobilizações de 2019, e a ideia de que a base social contemporânea é mais urbana, educada e conectada — potencialmente menos tolerante a estagnação e desigualdade.


LUGAR: Crítica da Inteligência Artificial

Figiteca