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Algorithms of Resistance: The Everyday Fight against Platform Power

Algorithms of Resistance: The Everyday Fight against Platform Power

Este livro investiga como vivemos com algoritmos no cotidiano — não apenas como “vítimas” de um poder invisível, mas como sujeitos que aprendem, negociam, improvisam e, às vezes, resistem. Em vez de tratar as plataformas como máquinas onipotentes, os autores acompanham práticas concretas: trabalhadores de aplicativos, criadores de conteúdo e ativistas que tentam entender “o que o algoritmo quer”, exploram brechas, formam redes e constroem regras próprias de sobrevivência.

A tese central é que a relação entre pessoas e infraestruturas algorítmicas é dinâmica e disputada: há dominação, mas também há agência — e essa agência não é uniforme nem necessariamente “heroica”. Ela oscila entre cooperação e competição, entre o que as plataformas consideram aceitável e o que os usuários consideram justo.

Para organizar essa diversidade, o livro propõe uma lente interpretativa: a agência algorítmica se distribui ao longo de moralidades em disputa (a “economia moral” das plataformas versus a dos usuários) e assume formas táticas ou estratégicas — variando conforme tempo, capital e expertise disponíveis. Essa chave ilumina por que “jogar com o algoritmo” pode significar desde otimizar um perfil até organizar greves, driblar sistemas de visibilidade ou disputar narrativas políticas.

Capítulo 1: Living with Algorithms

O capítulo abre o terreno conceitual do livro com três palavras-chave: poder das plataformas, agência humana e resistência algorítmica. Ele critica leituras “monolíticas” que descrevem algoritmos apenas como forças totalizantes e paralisantes, mostrando que esse tipo de narrativa tende a apagar o que pessoas fazem, inventam e suportam para continuar vivendo e trabalhando sob regras opacas. Em vez de romantizar rebeldias, o capítulo insiste em observar a agência como algo que acontece dentro das estruturas de dominação — frequentemente com ambivalência, cansaço, interesse econômico e imaginação prática.

Um ponto importante é a definição de resistência adotada: resistência não é só um grande ato público e intencional; ela pode ser um conjunto de atos cotidianos, reconhecidos por quem pratica, por quem sofre ou por observadores externos. Com isso, o capítulo prepara a distinção que guia o restante do livro: resistir “a” algoritmos (algoritmos como alvo) e resistir “através” de algoritmos (algoritmos como ferramenta no repertório de ação).

Ponto central:
A agência não desaparece na sociedade das plataformas; ela é condicionada, disputada e muitas vezes se confunde com resistência — num contínuo que vai da adaptação pragmática à contestação.

Exemplos marcantes:

  • A resistência definida como ato possível mesmo quando não é plenamente “assumido” como resistência pelo sujeito — e pode ser produtiva, não apenas negativa.

  • A distinção entre resistência a algoritmos e resistência através de algoritmos, que antecipa os casos de trabalho, cultura e política.

Conexão com a ExtraLibris:
Na Curadoria Figital, esse capítulo lembra que não basta “explicar o algoritmo” como um bloco abstrato. A leitura figital ganha força quando evidencia como as pessoas interpretam, sentem e respondem às regras invisíveis — e quando a curadoria organiza o conteúdo para tornar visíveis essas negociações do cotidiano (o que é aceito, o que é driblado, o que é considerado justo).

Capítulo 2: The Moral Economy of Algorithmic Agency

Aqui o livro apresenta seu marco teórico central: compreender “jogar com algoritmos” como expressão de uma economia moral — isto é, um campo de valores, expectativas e justificativas sobre o que é justo, aceitável ou abusivo nas relações mediadas por plataformas. A proposta é simples e poderosa: usuários não agem apenas por cálculo; eles agem também por crenças morais sobre mérito, dignidade, trapaça, cooperação, autenticidade.

O capítulo acrescenta um segundo eixo: a agência pode ser tática (improvisada, frágil, de curto prazo) ou estratégica (planejada, sustentada por recursos, capaz de interferir no sistema com mais alcance). Cruzando os dois eixos — moralidade (plataforma vs usuário) e forma (tática vs estratégica) — o livro apresenta uma matriz com quatro manifestações de agência algorítmica. Esse esquema não pretende “encaixotar” a vida real, mas oferecer um mapa para entender nuances e deslocamentos ao longo do tempo.

Ponto central:
A agência algorítmica é multidimensional: varia conforme valores morais em disputa e conforme a capacidade do ator de agir de modo tático ou estratégico (tempo, capital e expertise).

Exemplos marcantes:

  • A matriz que cruza economias morais e dimensões tática/estratégica (Figura 2.1), descrevendo quatro manifestações de agência.

  • O exemplo de otimização “alinhada à plataforma” (como investir em promoção paga e curadoria cuidadosa do perfil) para ilustrar agência estratégica dentro do moralismo da própria plataforma.

  • A discussão sobre táticas como ações no “território do outro” (de Certeau), ajudando a ler práticas frágeis e oportunistas como formas legítimas de adaptação.

Conexão com a ExtraLibris:
Para a ExtraLibris, esse capítulo oferece uma ferramenta curatorial direta: apresentar o livro ao público por meio de dois eixos legíveis (valores e recursos), permitindo que a estante figital não só resuma, mas ajude o leitor a se localizar: “onde estou nessa matriz?”, “minhas práticas são táticas de sobrevivência ou estratégias de longo prazo?”, “quais valores eu aceito ou contesto?”.

Capítulo 3: Gaming the Boss

O capítulo 3 mergulha no trabalho por aplicativos, mostrando como plataformas de delivery governam trabalhadores por meio de rankings, incentivos e “nudges” que empurram comportamentos desejados. A promessa inicial de autonomia — “não ter chefe” — aparece como ilusão parcial: o comando se desloca para métricas, mapas e sistemas opacos que redistribuem esforço e renda em tempo real. O capítulo descreve como isso intensifica a assimetria entre capital e trabalho, mas também como essa assimetria produz respostas criativas e coletivas.

A narrativa se ancora em exemplos de governança algorítmica: sistemas de confiabilidade, escalas de acesso a turnos e mapas de demanda que indicam onde “vale a pena” estar. Em seguida, acompanha como entregadores desenvolvem táticas para sobreviver, recuperar margem de decisão e, em certos casos, confrontar condições percebidas como indignas. O capítulo também destaca a importância de grupos de conversa (WhatsApp e afins) como lugares de aprendizagem prática e circulação de “truques” — uma inteligência coletiva forjada sob pressão.

Ponto central:
Mesmo sob controle computacional intenso, trabalhadores criam táticas de resistência e negociação, explorando brechas e coordenando ações para tornar a relação minimamente “justa” — ainda que muitas vezes seja uma luta de sobrevivência.

Exemplos marcantes:

  • A história de Stefano: a queda de “100% confiável” para “98%” após perder um turno — e o aprendizado de “truques” via WhatsApp para cancelar sem perder pontos, a partir de como os próprios entregadores imaginam o algoritmo.

  • A governança por mapas e incentivos: o uso de hexágonos com previsão de demanda e notificações que puxam entregadores para zonas mais “quentes”, limitando autonomia enquanto parecem oferecer escolha.

  • A ideia de que, apesar da fragmentação do trabalho, ainda assim há organização coletiva “contra as probabilidades”, contrariando o clichê do trabalhador isolado e impotente.

Conexão com a ExtraLibris:
Este capítulo é material exemplar para curadoria figital porque combina conceito e cena: uma boa ficha editorial pode expor a passagem “liberdade → dependência → aprendizagem coletiva” como arco narrativo. Na metodologia ExtraLibris, isso vira uma chave de mediação: mostrar ao leitor que a disputa com plataformas não é abstrata — ela acontece em detalhes (um turno perdido, um ponto a menos, um mapa que manda).

Capítulo 4: Gaming Culture

Aqui o foco são criadores de conteúdo, especialmente no Instagram, e o modo como visibilidade vira trabalho precário: a reputação e a renda dependem de métricas instáveis e de sistemas de recomendação que mudam sem aviso. O capítulo mostra como, depois da mudança para um feed algorítmico, muitos usuários sentiram queda de alcance e passaram a buscar soluções coletivas. Nesse contexto surgem os pods (grupos de engajamento), que funcionam como cooperação organizada para produzir sinais de relevância (curtidas, comentários, reciprocidade) sem pagar por anúncio.

O capítulo não trata pods como “simples trapaça”, mas como resposta moralmente justificada por muitos participantes: eles criticam bots e compra de seguidores, mas defendem pods como “defesa acessível” contra um governo algorítmico da visibilidade. Além disso, os pods viram ambientes de aprendizagem e circulação de “teorias populares” sobre como o algoritmo detecta comportamentos “inautênticos”, moldando práticas como ritmos de interação e estratégias para evitar shadowban.

Ponto central:
Os pods evidenciam uma economia moral alternativa: cooperação e reciprocidade como sobrevivência num mercado de visibilidade volátil — ainda que sob risco constante de punição e clandestinidade.

Exemplos marcantes:

  • Definição de pods como comunidades “de base” que combinam engajamento mútuo para ampliar visibilidade, e sua explosão após a adoção do feed algorítmico em 2016.

  • A percepção do pod como “bote salva-vidas”: para quem não pode pagar promoção, é “o único jeito de emergir” e começar a construir audiência.

  • Táticas de evasão: evitar excesso de interações, não “subir” rápido demais para não parecer bot; e a cultura do segredo (“não falamos do pod”), com medo de denúncias e punições.

  • Pods como “academia” e “mercado clandestino” de trocas de informação e engajamento; e truques como encurtar links para não serem rastreados.

Conexão com a ExtraLibris:
Na ExtraLibris, este capítulo rende uma curadoria que explicita o contraste entre autenticidade proclamada e autenticidade administrada. Em estante figital, vale destacar que os pods não são só “manipulação”: são também pedagogias coletivas e pactos morais de sobrevivência — um ponto que muda o olhar do público de julgamento para compreensão crítica.

Capítulo 5: Gaming Politics

O capítulo 5 desloca a discussão para a política: algoritmos e plataformas reconfiguram a disputa por atenção, voz e legitimidade. O ponto de partida é claro: na arena política contemporânea, visibilidade virou um recurso estratégico — e algoritmos são usados tanto para ampliar narrativas quanto para silenciar, confundir ou contornar moderação. O capítulo diferencia uma política algorítmica “de cima” (instituições, campanhas, estados, corporações) e uma “de baixo” (ativistas e coletivos), e insiste que o campo é ambivalente: a apropriação algorítmica não é “boa” por natureza.

Para mapear o terreno, o capítulo oferece uma taxonomia de três práticas: amplificação, evasão e sequestro/hijacking. Amplificar pode significar inflar popularidade e criar efeito manada; evadir pode envolver técnicas para escapar de vigilância e remoção; hijacking descreve apropriações oportunistas de hashtags, formatos e mecanismos de recomendação para deslocar sentidos. O capítulo também frisa a dimensão moral: ativistas justificam certas práticas como necessárias frente à extração e ao controle exercidos por plataformas, mas o mesmo repertório pode servir a movimentos autoritários.

Ponto central:
A política algorítmica é um campo de luta por visibilidade marcado por um vaivém permanente entre estratégias e táticas, onde algoritmos podem ser arma de manipulação ou ferramenta de ação coletiva — sem garantia de direção moral.

Exemplos marcantes:

  • A cena do policial tocando música para acionar o algoritmo de direitos autorais e impedir filmagem/denúncia: uma tática “criativa” que transforma a moderação automatizada em escudo contra accountability.

  • A taxonomia (amplificação, evasão, hijacking) como lente para entender desde “popularidade com robôs” e fabricação de consenso até práticas de movimentos por narrativa e atenção pública.

  • A ideia de “capacidade narrativa” (narrative agency) como competência central de movimentos, agora inseparável dos ambientes algorítmicos.

Conexão com a ExtraLibris:
Este capítulo se encaixa bem numa curadoria figital que organiza o conteúdo por tipos de prática (amplificar, evadir, sequestrar). A metodologia ExtraLibris pode transformar a leitura em experiência navegável: o leitor reconhece padrões, compara casos e percebe a ambivalência moral — evitando tanto o deslumbramento tecnofílico quanto o fatalismo.

Capítulo 6: Frontiers of Resistance in the Automated Society

No encerramento, o livro enfrenta o imaginário do “futuro automatizado” e as narrativas pessimistas que anunciam o fim da agência humana. O capítulo revisita críticas fortes (automação do comportamento, automação da cultura, enclausuramento “virtual” do trabalho) e pergunta: se a automação cresce, para quem ela trabalha? Em vez de negar riscos, o capítulo tenta construir uma resposta mais sólida do que o otimismo ingênuo: a chave é reconhecer a força estrutural das plataformas e, ao mesmo tempo, observar empiricamente que pessoas estão se organizando, aprendendo e criando alternativas.

Ele reafirma a relevância dos conceitos do livro — agência multidimensional, economias morais em disputa, e resistência cotidiana — e argumenta que a plataformaização não é linear nem sem fricção. Assim como a industrialização produziu associações e sindicatos que moldaram o processo, a plataformaização também está gerando formas de classe, cultura e organização próprias — de táticas de sobrevivência até cooperativas e apps alternativos. O capítulo conclui com uma posição “gramsciana”: pessimismo do intelecto e otimismo da vontade, apoiado no que a pesquisa encontrou em campo.

Ponto central:
A resistência relevante hoje é frequentemente mundana e coletiva, feita de adaptação, negociação e criação de alternativas — e pode “prevenir o pior” e abrir possibilidades, mesmo sem ser revolucionária de imediato.

Exemplos marcantes:

  • A leitura histórica da plataformaização como processo disputado (não “dominância essencialista”), comparável às transições do capitalismo industrial, com o surgimento de uma “classe trabalhadora” das plataformas.

  • O argumento de que muitas práticas descritas no livro visam “sobreviver hoje, esta semana, esta estação” — resistência como arte do fraco, mais negociação do que solução final.

  • O chamado para ir além da crítica: mudanças exigem que usuários reconheçam exploração/limitação e avancem de “cheat the system” para organização e alternativas — inclusive plataformas cooperativas e códigos éticos distintos.

Conexão com a ExtraLibris:
Para a ExtraLibris, este capítulo funciona como “chave de leitura” final: a curadoria figital pode fechar a experiência do livro sem cair em catastrofismo, destacando o que o texto oferece de mais útil ao público: uma gramática para enxergar fricções, moralidades e práticas coletivas emergentes — e para transformar leitura em reflexão aplicada sobre autonomia, trabalho, cultura e política nas estantes do presente.


LUGAR: Leituras ExtraLibris

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