
A cientometria é definida como o estudo da mensuração e quantificação do progresso científico, estando a pesquisa baseada em indicadores bibliométricos. A cientometria tradicionalmente avalia dois fatores de impacto. O impacto direto dos artigos a partir do número de citações, e o fator de impacto de um periódico.
Uma nova forma de avaliar o impacto da pesquisa é representada pelo novo conceito denominado altimetria (altmetrics), definido por Priem et. al. (2010) como a criação e estudo de novas métricas baseadas na web social para análise e informação acadêmica.
Com a web social as formas e possibilidades de publicação acadêmica não ficam restritas aos periódicos, e abrangem uma série de modelos de publicação e disseminação de informações acadêmicas, como em plataformas como blogs, wikis, microblogs e marcadores sociais.
Arbersman (2012) levantou estudos cienciometricos que determinam que resultados de alto impacto na ciência são provenientes de times colaborativos. Diz que a era de cientístas heróicos e solitários como Albert Einstein passou. Afirma que a evolução das novas tecnologias, que permitem que pesquisadores colaborem remotamente e compartilhem informações é determinante para validação dos fatos, e que deve ser considerado que toda pesquisa científica tem data de validade.
A plataforma mais referenciada nos artigos sobre altimetria é o Twitter. Utilizado para compartilhar informações e ligações para artigos publicados na web pelos usuários da ferramenta, para os seus seguidores, e todos que utilizarem a mesma para busca de informações.
Priem (2010) realizou uma pesquisa sobre o uso da ferramenta Twitter por redes de acadêmicos concluindo que:
Descobrimos que esses estudiosos usam o Twitter para citar artigos, mas que estas citações diferiam de suas manifestações tradicionais. Enquanto metade das citações no Twitter ligam diretamente para um recurso, muitas ligações são feitas através de um intermediário que, por sua vez faz links para, ou descreve o recurso de destino. As citações no Twitter também são exclusivamente de conversação, o que reflecte uma discussão mais ampla cruzando fronteiras das disciplinas tradicionais. As citações no Twitter são muito mais rápidas do que as citações tradicionais, com 40% ocorrendo dentro de uma semana de publicação do recurso citado. Enquanto no Twitter citações são diferentes de citações tradicionais, nossos participantes sugerem que eles ainda representam e transmitem impacto acadêmico. (PRIEM, 2010, p. 4)
A preocupação com as métricas alternativas não é vista apenas sob a ótica das vantagens e uso das plataformas da web social, mas também devido aos críticos dos métodos tradicionais de avaliação de impacto. Um exemplo foi o evento realizado em San Francisco em 16 de dezembro de 2012, em que cientistas representativos de várias instituições e grupos de pesquisa, assinaram uma declaração com recomendações favorecendo a utilização e a incorporação destas plataformas. Suas recomendações foram resumidas em uma recomendação geral:
Não utilizar métricas baseadas em periódicos, como as de fator de impacto, da mesma forma que deixar de mensurar a qualidade individual dos artigos de pesquisa, para avaliar a contribuição individual, contratar pesquisadores, promover, ou tomar decisões de financiamento. (DORA, 2012, P. 01)
A exemplo da dimensão pública da ciência aberta, e das distintas tradições de pesquisa dos campos das ciências naturais, ciências sociais e humanidades, é preciso reconhecer que não apenas a produção de artigos e sua publicação em periódicos com maior fator de impacto não é a principal forma de divulgação dos pesquisadores.
No entanto, a altimetria também tem seus críticos. Um dos questionamentos é relacionando à popularização de artigos devido ao teor de apelo público e não à qualidade da pesquisa, e outro relacionado à possibilidade de utilização de robôs para burlar as métricas e criar uma pontuação falsa para o ranking dos artigos:
Primeiro, os provedores de altmétricas precisam desenvolver uma maneira de diferenciar entre a pesquisa acadêmica séria da pesquisa com apelo popular. Serviços de altmetria contextualizados são muito recentes e ainda não foram refinados. Não existem normas para a comunicação altmétrica; uma norma terá que ser desenvolvida para ajudar rapidamente a determinar se um uma publicação acadêmica popular também é pesquisa de alta qualidade. […] Outros críticos apontam que a facilidade com que as altmétricas podem ser computados também são sua maior fraqueza, da mesma forma que métricas de mídias sociais e estatísticas de uso são particularmente vulneráveis a mecanismos de trapaça. Pois bots automatizados podem gerar milhares de downloads e pedidos de visualização de páginas em minutos. Tal como Tweets, posts no Facebook, e menções às publicações em blogs podem ser comprados. (KONKIEL, 2013)
As métricas alternativas estão em um período de constante surgimento de novas plataformas e do refino nos critérios e soluções para avaliação das publicações acadêmicas. A sua efetividade ou não para tornar-se um instrumento largamente adotado na academia ainda é incerto. Mas é provável que, da mesma forma que os novos recursos da web social, possa ser adotado informalmente pelos pesquisadores como um instrumento complementar aos mecanismos tradicionais de recuperação de artigos científicos.