Tecnologista Humanista

O verdadeiro profissional domina um corpo de conhecimentos - determinada disciplina que deve ser atualizada constantemente. O intelecto profissional de uma organização opera em quatro níveis, aqui apresentados em ordem de importância crescente:

Conhecimento cognitivo (know-what), que é o domínio básico de uma disciplina, conquistado pelos profissionais por meio de treinamento extensivo e certificação. Esse conhecimento é essencial, mas longe do suficiente, para o sucesso comercial.

Habilidades avançadas (know-how), que traduzem o "aprendizado livresco" em execução eficaz. A capacidade de aplicar as regras da disciplina a problemas complexos do mundo real é o nível mais difundido da habilidade profissional criadora de valor.

Compreensão sistêmica (know-why), que é o conhecimento profundo da rede de relacionamentos de causa e efeito subjacente a uma disciplina. Permite que os profissionais ultrapassem a execução de tarefas e atinjam o estágio de solução de problemas maiores e mais complexos - capacitando-os a criar valor antecipar interações sutis e consequências não intencionais - por exemplo, o insight de um diretor de pesquisa experiente que sabe instintivamente que projetos financiar, no momento mais adequado.

Criatividade auto-motivada (care-why), que envolve vontade, motivação e adaptabilidade para o sucesso. Os grupos altamente motivados e criativos geralmente superam em desempenho outros grupos com maiores recursos físicos ou financeiros. Sem criatividade auto-motivada, os líderes intelectuais correm o risco de perder sua vantagem cognitiva, em decorrência da complacência. Estão sujeitos a não adaptar-se de maneira agressiva às condições externas em mutação e especificamente a inovações que tornam obsoletas habilidades antes importantes - exatamente da maneira que as técnicas de projeto molecular estão suplantando o peneiramento químico em produtos farmacêuticos. Esse é o motivo pelo qual o nível intelectual tornou-se tão importante.

(...)

Como dispõem de conhecimentos especializados e toram treinados como elite, os profissionais, em geral, também tendem a considerar sagrados seus conhecimento em outras áreas. Frequentemente, hesitam em subordinar-se a outros ou em respaldar metas organizacionais que não coincidam exatamente com seus pontos de vista. Esse é o motivo por que a maioria dos profissionais operam como sociedades e não como hierarquias, e por que é difícil para essas organizações a adoção de estratégias unificadas.

(...)

Os profissionais tendem a cercar-se de pessoas com antecedentes e valores semelhantes. Com exceção dos casos de rupturas deliberadas, esse casulos baseados na disciplina rapidamente se transformam em burocracias introvertidas, resistentes à mudança e distantes dos clientes.

Considere as muitas organizações de software ou pesquisa básica que se isolaram em organizações maiores, criando conflitos com outros grupos profissionais, como marketing ou produção.

Fonte: QUINN, James Brian; ANDERSON, Philip; FINKELSTEIN, Sydney. Gerenciando o Intelecto Profissional. In: GESTÃO do Conhecimento. 5. ed. Rio De Janeiro: Editora Campus, 2001. p. 174-196. (Harvard Business Review).