O que será de nós sem os livros impressos?

O livro é a tecnologia quintessencial da modernidade; um meio de transporte através do espaço da experiência, à velocidade de um virar de página; como o poeta Joseph Brodsky colocou. Mas agora que movimento de virar de páginas concorre com a cintilação do ecrã de pixels, temos de considerar a possibilidade de que o livro pode não estar entre nós por muito mais tempo. Se optarmos por este para substituir o livro, o que será da leitura e da cultura que é fomentada pela impressão? E o que é que isso nos tem a dizer sobre nós mesmos, que podemos aposentar em breve a mais notável tecnologia de quinhentos anos de existência?

Vale a leitura completa: People of the Screen – Christine Rosen.

Mais leitores de livros eletrônicos e as bibliotecas

O título de uma matéria recente do The New York Times: Turning Page, E-Books Start to Take Hold (traduzido no Midia Global como: Mais Leitores estão optando por livros eletrônicos). Sobre o aumento da procura pelas novas tecnologias de suporte a leitura de livros (um livro é uma publicação impressa que constituí no mínimo 50 páginas).

É fato que diversos jornais impressos já estão deixando de existir lá fora, e o seu conteúdo está sendo produzido exclusivamente em formato digital.

Pensem nos dez anos que se passaram para a consolidação dos telefones celulares como tecnologia acessível para as diversas esferas de renda. Agora imaginem um cenário para as bibliotecas nos próximos dez anos.

A questão é, se uma nova tecnologia para leitura e troca de livros consilidar-se, teremos então a oportunidade para a consolidação dos investimentos em novos modelos de bibliotecas.Valendo apostar nos ambientes como prestadores de serviços para a formação de comunidades locais e redes sociais temáticas.

A tensão entre a narração e a informação

O que o senhor acha dos caminhos abertos pelas novas tecnologias?

“A grande tensão que ocorre em nossos dias é a que confronta a narração com a informação. A novela é um gênero que concentra a experiência e o sentido e que envolve profundamente o sujeito que lê. A informação, por sua vez, deixa o sujeito de fora, o transforma em espectador. Assim surgiu outro tipo de autoridade. E está gerando uma sensação paranóica. É tal a quantidade de informação que sempre parece faltar um dado e que portanto você está desinformado. O positivo das novas tecnologias é que, ao favorecer a intervenção das pessoas, voltam a transformá-las em sujeitos. Esse é o caminho mais estimulante. E, curiosamente, foi Borges quem se antecipou para revelar essas modificações técnicas.” Ricardo Piglia.

Original em: El País.

Via: Midia Global (tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves).

A Sabedoria das Multidões

Passagens interessantes do primeiro capítulo:

“a opinião independente é um ingrediente fundamental para decisões coletivas sábias e também uma das coisas mais difíceis de preservar. Como a diversidade ajuda a preservar essa independência, é difícel ter um grupo coletivamente sábio sem ela.”

“os grupos mais inteligentes, portanto, são compostos de pessoas com diferentes pontos de vista que são capazes de se manterem independentes umas das outras.”

“quando as pessoas que tomam decisões são muito parecidades – em visão de mundo e disposição – elas facilmente se tornam presas do pensamento grupal. Grupos homogêneos ganham coesão mais facilmente do que grupos heterogêneos, e à medida que ganham maior coesão eles também tornam mais dependentes do grupo, mais isolados de opiniões externas e, portanto, mais convencidos de que a avaliação do grupo sobre temas importantes está certa. Esse tipo de grupo, partilha uma ilusão de invulnerabilidade, um desejo de eliminar quaisquer argumentos contrários à posição do grupo e uma convicção de que a discordãncia não é útil.”

A Sabedoria das Multidões – James Surowiecki