Estão saindo diversos novos livros relacionados a “Ciência da Informação”, escrito por profissionais e professores da área, que aproveitam pesquisas bibliográficas para escrever livros temáticos. Estes livros são frutos de alguma reflexão, levantam novas perguntas, novos problemas? Apresentam alguma solução ou crítica original? Quais são os bons livros na área publicados no país? Qual é a originalidade?
Poderia dividir as obras publicadas por dois tipos de abordagem. Obras mais abrangentes, inspiradoras, quase literárias-filosóficas, como algumas escritas pelo Edson Nery. E obras que focam problemas específicos como as obras do Lancaster. Mas porque esta modalidade de produção não é muito comum na produção nacional? Um modelo de produção baseado em historicismos, contextos, citações não deveria ser mudado? A tentativa de agregar uma “científicidade” a qualquer trabalho produzido na graduação não está simplesmente emburrecendo e confundindo os estudantes?
Não existe boa “ciência” sem em primeiro lugar a capacidade de se pensar boas perguntas para as pesquisas “científicas”. Ou seja, tempo é investido em pesquisas completamente adequadas e segundos as normas de científicidade, mas pesquisas baseadas em reflexões pueris, e a não formulação de boas perguntas, não tem gerado bons trabalhos – mas mesmo assim geram o mesmo nível de titulação bem adequado para o concurso público tão almejado.
Para termos um dia uma boa produção “científica” em Biblioteconomia e CI, acredito que precisariamos investir na produção de mais material que conduza-nos a uma boa capacidade crítica e reflexiva a priori.
Vejo duas alternativas para produção em Biblioteconomia:
Uma focada em práticas de serviços e gestão, como por exemplo no nível de textos publicados pela TerraFórum Consultoria relacionados a Gestão do Conhecimento. Visitem a Biblioteca. Percebem como são textos claros, que abordam problemas específicos, bem escritos, baseados em situações reais.
Outro modelo baseado em reflexões sobre postura profissional, problemas éticos, problemas técnicos, etc. Como por exemplo a proposta por uma Crítica da Informação, do Jack Andersen. Porque ao escrever sobre um tópico, preferem abraçar o mundo, fazer uma pesquisa bibliográfica – resgate histórico das citações – ao invés de após toda a leitura propor uma abordagem, solução ou crítica como mencionei acima. Esta abrangência só tem servido como introdução. E a graduação inteira acaba sendo uma grande introdução sobre tudo relacionado a Biblio e CI, sem o aprofundamento de nada.
Não sei até que ponto, mas isso, pra mim, também se deve ao fato dos professores não serem bibliotecários, e os bibliotecários não escreverem nem publicarem. Isso talvez esteja piorando na medida que os professores advem de outras áreas que não a biblioteconomia. Tendem a levar a CI para algo muito mais distante da realidade do bibliotecário nacional. Acho que é um hiato grande quanto a isso. Pq a atualização não pode ser apenas por meio de livros e artigos, como não pode também ser apenas prática. Então ninguém “capta” o que está acontecendo e a produção fica só na introdução. E qdo querem fazer algo diferente publicam aqueles “estudos de caso”, em que se distribui 100 questionários para colher informações.