O que Folksonomia tem a ver com Jornalismo?

grifo meu

Usando irreverência para tratar de um tema relevante, os mestrandos de Engenharia do Conhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) José Lacerda e Pedro Valente explicaram e exemplificaram o termo folksonomia e as oportunidades de usá-lo no jornalismo, apresentando o artigo A emergência em sistemas baseados em folksonomias, no III Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo.

Os palestrantes começaram explicando a origem da palavra folksonomia, que vem de taxonomia, que, como disse Pedro Valente durante a apresentação, “é um jeito de classificar as coisas”. Folksonomia , portanto, é um tipo de classificação, que tem por regra máxima ser livre e espontânea e que deve ser compartilhada.

É uma classificação livre, baseada no interesse imediato – emergente – de compartilhamento de informações dos usuários.

Essa ferramenta analisada com base na Teoria Geral do Sistema, se encaixa no sistema bottom-up (de baixo para cima), onde as regras não são definidas por alguém, ou seja, impostas de cima para baixo (sistema top-down). Em seguida, a dupla mostrou alguns sites que utilizam a folksonomia para gerenciamento de bookmarks ( del.icio.us), compartilhamento de fotografia e agendamento de eventos ( upcoming.org), entre outros.

top-down – bibliotecários; bottom-up – usuários

Quanto ao emprego no Jornalismo, Pedro Valente garante que tanto os jornalistas como os seus leitores são beneficiados com a aplicação desse modelo. “Os jornalistas podem se organizar do jeito que preferirem, usando as suas próprias palavras para classificar os seus conteúdos e também buscar sites que usem o sistema de folksonomia para encontrar suas pautas”, argumentou. Segundo José Lacerda, no del.icio.us encontra-se “tudo que é novidade, tudo que foi lançando ontem”.

Por isso o termo emergência é muito utilizado em sistemas bottom-up.

Já para os leitores a vantagem é que poderão montar um jornal só com assuntos que lhes interessem. O Common Times , por exemplo, utiliza o sistema de folksonomia e é um jornal colaborativo, com tags (etiquetas) e recomendações escritas pelos próprios usuários.


Como o material é recuperado por palavras-chave, e não simplesmente por um assunto mais abrangente, comunidades de interesse podem definir palavras-chave específicas para classificação de conteúdo – emergente.

Esta é um problema pouco explorado por bibliotecários, já que grande parte da preocupação é a de organização de material confiável, impresso, editado, avaliado – e não o que está sendo produzido emergencialmente nas comunidades, que não significam necessáriamente obras fechadas, mas opinião, movimento, mudança.

Isadora Peron
Ontem, 29 de novembro, às 17h06
Fonte: Unaberta UFSC