Educação 2.0

Informação 2.0 – Redes Colaborativas e Serviços de Informação

Durante anos idealizei o oferecimento de um curso sobre Auto-Gestão Informacional e Colaboração presencialmente em cursos de graduação. Após experiências positivas em oficinas de 4 horas em eventos, integrei esta temática com uma base conceitual sobre Emergência e Organizações 2.0; Sistemas Colaborativos; e Desenvolvimento de Serviços de Informação criando o curso Informação 2.0 para o novo programa de EAD da ExtraLibris.

O conteúdo do curso é resultado do que tenho acompanhado em comunidades internacionais de consultores, educadores, gestores de comunidades e empreendedores, somando a minha formação e experiência profissional nos últimos 7 anos. A inspiração vem de novos modelos de aprendizagem (conectivismo, aprendizagem informal e em rede), tendências em gestão (inovação disruptiva, simplicidade, criatividade, colaboração, incubação de projetos), sistemas colaborativos (softwares sociais, computação em nuvem, sistemas de gerenciamento de conteúdo).

Pretendo oferecer (assim espero) novas perspectivas que permitam que os participantes possam participar e estimular a formação de suas próprias Redes Colaborativas e/ou Comunidades temáticas. Ou pelo menos possam utilizar os recursos da web para aprender melhor, trabalhar melhor, e, fundamentalmente, ter uma nova perspectiva sobre como é possível hoje (de uma forma que não imaginariamos há uma década) desenvolver novos projetos utilizando a web como principal plataforma de apoio.

As inscrições para a primeira turma iniciaram hoje e mais informações podem ser encontradas na página do curso na ExtraLibris em: Informação 2.0 – Redes Colaborativas e Serviços de Informação. Evidente que muita coisa pode ser melhorada. Mas é com a interação com este primeiro grupo que poderemos fazer um curso melhor.

As plataformas para minha produtividade digital

WordPress
Utilizo como plataforma para as mais variadas soluções web. Desde a criação de blogs como este, passando por sistemas para apoio ao gerenciamento de projetos, comunicação organizacional, colaboração entre equipes, etc.

Google Reader
O monitoramento das atualizações através do RSS de blogs e periódicos são acompanhadas através desta ferramenta, e minhas leituras selecionadas são disponibilizadas publicamente através deste link.

Delicious
As leituras e pesquisas relacionados as minhas competências profissionais são armazenadas na minha conta no delicious: delicious.com/fabianocaruso

Netvibes
A minha platafoma preferida para StartPages, em que na página inicial tenho acesso a todos os meus favoritos, acompanho os artigos salvos pela minha rede no Delicious, e um bloco de anotações para as atividades do dia. Através das abas, todas as anotações importantes relacionadas a um projeto são armazenadas (pessoais e profissionais), e ainda a integração de diversas outras aplicações como o Box.net.

Google Docs
Artigos sendo produzidos, traduções, projetos em desenvolvimento, relatórios, atas de reunião – todo o tipo de documentação em fase de produção e colaboração fica armazenada nesta plataforma, em que o mais importante não é a formatação, mas a garantia de uma colaboração intelectual efetiva através do compartilhamento da documentação.

O que será de nós sem os livros impressos?

O livro é a tecnologia quintessencial da modernidade; um meio de transporte através do espaço da experiência, à velocidade de um virar de página; como o poeta Joseph Brodsky colocou. Mas agora que movimento de virar de páginas concorre com a cintilação do ecrã de pixels, temos de considerar a possibilidade de que o livro pode não estar entre nós por muito mais tempo. Se optarmos por este para substituir o livro, o que será da leitura e da cultura que é fomentada pela impressão? E o que é que isso nos tem a dizer sobre nós mesmos, que podemos aposentar em breve a mais notável tecnologia de quinhentos anos de existência?

Vale a leitura completa: People of the Screen – Christine Rosen.

Nerds, Mídias Sociais e a Escola do Século 21

Para que serve uma monocotiledônea?

Vale a pena assistir a palestra do Luli Radfahrer no Descolagem, realizado no NAVE (www.nave.oi.com.br) em 22 de novembro de 2008 com curadoria de Beto Largman em parceria com o instituto Oi Futuro.

(Tive a honra de fazer parte de uma mesa redonda sobre o tema Virtualidade no USP durante o EREBD com o Luli na semana passada, e devo escrever sobre minha experiência no próximo post. Mas existe uma resenha da mesa bem interessante feita pela Luana Coelho no Panorama Geek).

Escolas Matam a Criatividade?

parte 1/2

Imagem de Amostra do You Tube

parte 2/2

Imagem de Amostra do You Tube

A tensão entre a narração e a informação

O que o senhor acha dos caminhos abertos pelas novas tecnologias?

“A grande tensão que ocorre em nossos dias é a que confronta a narração com a informação. A novela é um gênero que concentra a experiência e o sentido e que envolve profundamente o sujeito que lê. A informação, por sua vez, deixa o sujeito de fora, o transforma em espectador. Assim surgiu outro tipo de autoridade. E está gerando uma sensação paranóica. É tal a quantidade de informação que sempre parece faltar um dado e que portanto você está desinformado. O positivo das novas tecnologias é que, ao favorecer a intervenção das pessoas, voltam a transformá-las em sujeitos. Esse é o caminho mais estimulante. E, curiosamente, foi Borges quem se antecipou para revelar essas modificações técnicas.” Ricardo Piglia.

Original em: El País.

Via: Midia Global (tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves).

Educação 2.0: o que é mais importante a se fazer na universidade hoje?

Acabei de ler um artigo super interessante da Penelope Trunk, intitulado: Education 2.0: What’s most important to do in college today?, que conduziu-me a outras leituras interessantes. Ela tem levantado questões importantes sobre os valores e comportamento dos Millennials.

Durante o curso de graduação, não possuia a quantidade de informações que tenho hoje para demonstrar a importância de um modelo de aprendizagem que pudesse favorecer o aprendizado ao longo da vida. Acredito que o maior desafio de hoje é o de poder equilibrar a importância da educação formal, com a aprendizagem informal e em rede. Mas em nosso país a educação formal é superistimada – o que tem gerado uma dinâmica infeliz mercantilização de diplomas e banalização do ensino. Um mercado cheio de profissionais imbecís com diplomas de mestrado e doutorado.

Então, como presidente do centro acadêmico, busquei centrar minhas iniciativas em dois sentidos: melhorar a qualidade de pesquisa dos estudantes, e incentivar uma mentalidade empreendedora, ambas focadas na solução de problemas. Na época, a minha sugestão como membro da comissão para o projeto político pedagógico do curso de Biblioteconomia da UFSC, era algum tipo de programa que permitisse disciplinas abertas e flexíveis. Em que estudantes de diversas fases poderiam encontra-se baseados em interesses em comum, para discutir e apresentar seminários sobre tópicos emergentes no campo. Isso ofereceria a oportunidade aos estudantes, em poder assimilar algumas tendências – sem necessáriamente precisar esperar por anos, para depois de sair alguma tese de doutorado sobre o assunto, pudessem ter alguma aula. Como a produção em nosso campo em outros países é super abrangente, teriamos oportunidade de conhecer e compartilhar novos tópicos.

O que eu ouví na época é que o perfíl dos estudantes não colaborava, e que eu estava buscando uma graduação adequada ao meu perfíl, e não pensando no perfíl dos alunos. Ou seja, foi muito complicado competir com a mentalidade de que a graduação é uma espécie de cursinho preparatório para concursos públicos. De um lado para preparar para concursos em bibliotecas, e do outro para concursos para a pós-graduação.

Como crescí em bibliotecas e utilizando a internet para pesquisas, sempre tive uma percepção sobre o valor da aprendizagem em informal e em rede, como complementação fundamental a aprendizagem formal em sala de aula. Mas visualizo hoje em algumas disciplinas do curso de graduação, o pior dos mundos possíveis para o processo de aprendizagem.

Alguns professores simplesmente não dão mais aulas mais aulas, passam artigos para que estudantes possam ler, fazer trabalhos, e depois apresentar para o resto da turma. O que para mim representa a corrupção dos valores da aprendizagem informal, transvertidos com um apelo a autoridade. O resultado disso é que os estudantes ficam sobrecarregados de trabalhos para fazer, e não tem tempo para fazer mais nada. E os mais espertos aproveitam-se dos tolos, que fazem trabalhos e colocam os nomes deles. Ou então, os grupos criam dinâmicas de compartilhamento de trabalhos. Ou seja, de um grupo de quatro alunos, dois fazem o trabalho de um professor, e outros dois fazem o trabalho de outro, e depois eles dividem os nomes nas capas dos trabalhos.

Que os estudantes desenvolvam autonomia de pesquisa, consigam trabalhar em grupo, e etc, é fundamental. Mas é preciso alcançar um certo equilíbrio entre a importância da educação formal, do papel do professor como capaz de conduzí-los ao conhecimento da melhor forma. Mas, que os estudantes tenham tempo para complementar o que foi-lhes apresentado em sala de aula, e que possam por conta própria buscar informações e associar-se com outros estudantes baseados em interesses em comum.

Para que pudesse aprender durante a minha graduação o que considerava importante, precisei abandonar a idéia de que um índice acadêmico alto é importante. E por conta própria, comecei a orientar minhas leituras. Sabia que a graduação é apenas burocracia intelectual que confere a pessoa uma titulação – que na verdade diz muita pouca coisa sobre a pessoa.

Foi devido aos problemas em relação a aprendizagem que idealizei a ExtraLibris. Enviei um convite aberto por e-mail para algumas listas de discussão, convidando pessoas interessadas em conversar sobre biblioteconomia, discutir tendências, trocar artigos, etc. Não escolhí a dedo pessoas que achava que pensava como eu. O resultado foi o encontro de pessoas com ideias distintas sobre diversos tópicos. Pessoas que provavelmente, em uma sala de aula nunca se gostariam, mas em rede, nos respeitamos com estudantes, pesquisadores, intelectuais e profissionais independentes. Foi onde mais aprendí, esta é a educação do futuro.

A Sabedoria das Multidões

Passagens interessantes do primeiro capítulo:

“a opinião independente é um ingrediente fundamental para decisões coletivas sábias e também uma das coisas mais difíceis de preservar. Como a diversidade ajuda a preservar essa independência, é difícel ter um grupo coletivamente sábio sem ela.”

“os grupos mais inteligentes, portanto, são compostos de pessoas com diferentes pontos de vista que são capazes de se manterem independentes umas das outras.”

“quando as pessoas que tomam decisões são muito parecidades – em visão de mundo e disposição – elas facilmente se tornam presas do pensamento grupal. Grupos homogêneos ganham coesão mais facilmente do que grupos heterogêneos, e à medida que ganham maior coesão eles também tornam mais dependentes do grupo, mais isolados de opiniões externas e, portanto, mais convencidos de que a avaliação do grupo sobre temas importantes está certa. Esse tipo de grupo, partilha uma ilusão de invulnerabilidade, um desejo de eliminar quaisquer argumentos contrários à posição do grupo e uma convicção de que a discordãncia não é útil.”

A Sabedoria das Multidões – James Surowiecki

A Melhor Definição sobre o Sentido das Conversações

“A compreensão, não o conhecimento, é o que estamos pretendendo na maioria de nossas conversas. Há milhares de anos os filósosfos nos dizem que o conhecimento é a mais alta das atividades da mente humana, mas isso porque você não é filósofo a menos que esteja interessado em ir além das meras opiniões daqueles que estão a seu redor e descobrir no que realmente vale a pena acreditar. É como perguntar a um chef qual é o maior dos sentidos, ou a um libertino qual é a melhor coisa que duas pessoas podem fazer juntas. Os filósofos que sucederam a Sócrates têm tendência a se sentarem em uma sala sozinhos e colocar seus pensamentos no papel, mas muitos de nós raciocinamos enquanto trocamos idéias com outras pessoas. Quando a base de uma conversa é compartilhada, existem coisas que sabemos – ou imaginamos que sabemos -, mas essas são exatamente as coisas sobre as quais não é interessante conversar. Em um conversa, pensamos juntos em voz alta, tentando compreender o assunto sobre o qual estamos conversando.

O barulho que isso faz é muito diferente do raspar de uma caneta de um filósofo sobre o papel. O papel leva os pensamentos para dentro de nossa cabeça. A web libera os pensamentos antes de eles estarem prontos, portanto, podemos burilá-los juntos. E nessas conversas ouvimos várias compreensões do mundo, pois elas se desenvolvem com base nas diferenças. A diferença sempre foi sinal de que o conhecimento não foi alcançado: Pode existir somente um conhecimento, pois o mundo é de um jeito, e não de outro, mas sempre existirão vários tipos de conversas e, portanto, várias compreensões. Jamais deixaremos de conversar, silenciados por um conhecimento único, unificado, verdadeiro, inevitável e final de tudo que nos rodeia”.

David Weinberger – A Nova Desordem Digital
(o trabalho do conhecimento, p.207).

O que é Ciência Sr. Feynman?

“Eis aqui o que é a ciência: a descoberta de que vale mais a pena verificar tudo através da experiência directa, em vez de confiar na experiência transmitida do passado. É assim que vejo as coisas, e esta é a melhor definição de ciência que posso dar. A ciência apresenta também a riqueza de uma visão do mundo criada por ela: a beleza e as maravilhas do mundo tal como as descobrimos através dos resultados de experiências novas.” Richard Feynman.

via: De Rerum Natura : As dúvidas da centopéia

7 Livros Pessoais

A minha proposta para um meme é a seguinte: sugerir ao visitantes dos nossos blogs leituras que sejam representativos do nosso perfíl profissional e também revelem um pouco de nossos interesses íntimos com a leitura. Cada pessoa seleciona 7 livros, 3 que tenham relação direta com sua atividade profissional, 2 não-ficção e 2 ficção.

Minha lista dos livros imperdíveis é a seguinte:

A Nova Desordem Digital, David Weinberger

As regras que serviram para organização da informação no mundo físico são limitadas em relação as potencialidades do universo digital. O autor nos oferece uma pequena viagem pela história dos sistemas de classificação do conhecimento, desde Aristóteles até Ranganathan. E demonstra os problemas relacionados ao essencialismo na classificação e suas implicações em ambientes digitais.

Wikinomics, Don Tapscott & Anthony D. Williams

Uma perspectiva econômica sobre a dinâmica de baixo para cima e a relação com a inovação nas organizações. E como as tecnologias colaborativas contribuem com isso. Open Innovation, Open Source, Open Culture.

O Ponto de Desequilibrio, Malcolm Gladwell

Como surgem certos modismos e propagam-se as epidemias sociais. Precisamos apenas de um expert, um comunicador e um vendedor. Mas na verdade o livro vai muito além destas questões.

A Breve História de Quase Tudo, Bill Bryson

Uma viagem pela química, física, astronomia, geologia, paleontologia, etc, contada por um não-cientísta, escritor de livros de viagens. Fundamental.

Confissões de um Filósofo, Bryan Magee

A História da filosofia ocidental, contada de forma cativante por um dos proeminentes divulgadores da filosofia ingleses. Único livro que lí com prazer duas vezes seguidas.

Desonra, J. M. Coetze

Uma fotografia da hipocrisia cultural e crítica às consequências do relativismo cultural na África. Mas que vale, evidente, para qualquer lugar do mundo.

A Peste, Albert Camus

Em O Estrangeiro, obra mais popular de Camus, compartilhamos com o personagem o sentimento de não pertencimento, que representa a solidão inifinita comum a todos nós. Mas é no livro A Peste que Camus nos oferece uma solução. O caminho da felicidade individual está em contribuir e agir com responsabilidade em relação a felicidade do próximo. Pena que não seja tão popular, e geralmente mal intepretado e incompreendido.

Tive a idéia de compor esta lista, quando estava selecionando leituras sugeridas para utilizar o meu programa de afliado de forma civilizada neste blog. Não gostaria de utilizar este blog como chamariz para simplesmente tentar ganhar dinheiro através da internet, mas em divulgar de forma sincera livros que eu teria prazer de conversar em uma mesa de bar com os amigos.

Blogs, Autoridade e Andrew Keen

É para levar a sério um autor que fala de blogs e cita a Escola de Frankfurt? Tá, brincadeirinha.

A questão é que Andrew Kenn é esperto. Ele aproveita o tópico para vender livros com uma crítica um tanto que banal. Qualquer pessoa séria reconhece que as críticas dele são pertinentes – mas escrever um livro para fazer as críticas é de um oportunismo estratégico para vender livros para os que confundem blogs com diários de adolescentes moderninhos. O problema é que autoridade e credibilidade não é uma questão de forma, mas de conteúdo.

Um exemplo simples. Suponha que um pesquisador independente encontre a cura para uma doença rara. Então por algum motivo, ele resolve publicar os resultados de suas pesquisas em um blog. O que ele publicou deixa de ser ciência simplesmente porque ele publicou em um blog o resultado de suas pesquisas? Evidente que não, pois ciência é sobre método, não sobre o formato de divulgação da ciência.

Ou seja, existe informação falsa e irrelevante em diversos formatos. A diferença é que as instituições tradicionais estabeleceram-se para padronizar e definir critérios de qualidade para garantir certa autoridade, credibilidade e confiança em relação a produção do conhecimento. Mas evidente é que tais instituições não estão isentas de corrupção – ainda mais quando tratam-se de instituições que lidam com problemas de pesquisa “sociais”.

Muitas vezes as críticas a democratização dos massas em relação a utilização de ferramentas como blogs, é nada menos do que uma crítica disfarçada de cultural e de autoridade, quando é uma crítica preocupada com a questão de cargos e salários – de profissionais e pesquisadores que confundem controle da informação com a produção de conhecimento e inovação.

Afinal de contas, a princípio a dinâmica de escrita em blogs é uma dinâmica de conversação. Caso eu estivesse realmente preocupado com a questão da autoridade clássica, evidente que não estaria investindo boa parte do meu tempo escrevendo em um blog. Provavelmente algum tipo de artigo científico.

A Biblioteca Pessoal dos Líderes

Lideres sérios que são leitores sérios constroem bibliotecas pessoas dedicadas a livros sobre como pensar, não sobre como competir.

Para quem pensa que os verdadeiros líderes lêem livros-de auto ajuda de negócios, assistem a palestras motivacionais e consomem principalmente não-ficção: C.E.O. Libraries Reveals Keys to Success

Confirmando mais uma vez a minha impressão de que as universidades nacionais emburrecem. Afinal de contas os alunos – e boa quantidade de professores – orgulham-se de concluir a graduação sem nunca ter precisado entrar em uma biblioteca.

Nem é preciso mencionar que também não utilizam sistemas de classificação decimal para organizar seus acervos domésticos. Por que é obvio que apenas as pessoas que não sabem para que serve o sistema de dewey o utiliza em suas bibliotecas domésticas – na verdade em qualquer biblioteca privada. As pessoas que se preocupam demais com controle e organização são simplesmente aqueles que não conseguem pensar muito e vivem uma espécie de burocracia intelectual.

A Literatura e a Alteridade

Acabei de ler no Blog do Sérgio Rodrigues um artigo sobre a relação entre a Literatura e a “capacidade de imaginar o outro” citando Amóz Oz. Captou exatamente o que acredito ser o principal valor da boa literatura.

Quando as pessoas buscam leituras de auto-ajuda, ou literatura de entreterimento, acredito que estejam fazendo uma leitura de auto-afirmação, muitas vezes baseadas na crença de que um livro é algo bom per sí, e que leitura é sinônimo de status. O livro é apenas um amuleto da própria ignorância. A leitura de passatempo não é a mesma coisa do que a leitura reflexiva.

Penso que este tipo de experiência de “imaginar o outro” proporcionada pela boa literatura é de certa forma ofuscada pela busca espiritual. Não são os video-games, cinema e música que competem com a literatur, é simplesmente a falta de senso de auto-descoberta. A questão é que geralmente são as religiões que preenchem esta lacuna. As pessoas buscam pela sabedoria em literatura religiosa, e não na literatura ficcional.

É por isso que não acho que programas de incentivo a leitura gerem muito resultado relacionado ao principal benefício de uma boa leitura. A busca pela boa leitura não é geralmente compatível com a disseminação de experiências coletivas.

Digital Natives

“Digital Natives” are those people for whom the internet and related technologies are givens, whereas “Digital Immigrants” migrated to these technologies later in life. Digital Immigrants know how life existed in the pre-networked society, whereas Digital Natives take networked communication as the foundation of their lives.

http://www.digitalnative.org

Inteligência Coletiva no MIT

Porque não custa nada sonhar: MIT Center for Collective Intelligence.

“How can large groups of people produce high quality written documents? For instance, how can the lessons of Wikipedia be applied to other groups and other kinds of documents? What kinds of technologies and motivational structures are needed?

How can groups of people make accurate predictions of future events? For instance, in prediction markets, people buy and sell predictions about uncertain future events, and the prices that emerge in these markets are often better predictors than opinion polls or individual experts. When and how do these prediction markets work best? How can they be combined with simulations, neural nets, and other techniques?

How can we harness the intelligence of thousands of people around the world to help solve the problems of global climate change? For instance, how can we use innovative combinations of computer-based simulations and explicit representation of argumentation to help people identify and analyze different policy alternatives?

How can we create an on-line, searchable library of books from many languages and historical eras? For instance, how can we harness a combination of human and machine intelligence to recognize the images of words in these books?

How can we help create commercially sustainable products and services for low-income communities around the world? For instance, how can we use cutting-edge technology to help a world-wide network of entrepreneurs and investors rapidly find, analyze, and replicate successful projects?”

E os pesquisadores utilizam plataformas de social bookmarks para o mapeamento de informações: CiteULike: Group MITCCI.

O que é intelecto profissional

O verdadeiro profissional domina um corpo de conhecimentos – determinada disciplina que deve ser atualizada constantemente. O intelecto profissional de uma organização opera em quatro níveis, aqui apresentados em ordem de importância crescente:

Conhecimento cognitivo (know-what), que é o domínio básico de uma disciplina, conquistado pelos profissionais por meio de treinamento extensivo e certificação. Esse conhecimento é essencial, mas longe do suficiente, para o sucesso comercial.

Habilidades avançadas (know-how), que traduzem o “aprendizado livresco” em execução eficaz. A capacidade de aplicar as regras da disciplina a problemas complexos do mundo real é o nível mais difundido da habilidade profissional criadora de valor.

Compreensão sistêmica (know-why), que é o conhecimento profundo da rede de relacionamentos de causa e efeito subjacente a uma disciplina. Permite que os profissionais ultrapassem a execução de tarefas e atinjam o estágio de solução de problemas maiores e mais complexos – capacitando-os a criar valor antecipar interações sutis e consequências não intencionais – por exemplo, o insight de um diretor de pesquisa experiente que sabe instintivamente que projetos financiar, no momento mais adequado.

Criatividade auto-motivada (care-why), que envolve vontade, motivação e adaptabilidade para o sucesso. Os grupos altamente motivados e criativos geralmente superam em desempenho outros grupos com maiores recursos físicos ou financeiros. Sem criatividade auto-motivada, os líderes intelectuais correm o risco de perder sua vantagem cognitiva, em decorrência da complacência. Estão sujeitos a não adaptar-se de maneira agressiva às condições externas em mutação e especificamente a inovações que tornam obsoletas habilidades antes importantes – exatamente da maneira que as técnicas de projeto molecular estão suplantando o peneiramento químico em produtos farmacêuticos. Esse é o motivo pelo qual o nível intelectual tornou-se tão importante.

(…)

Como dispõem de conhecimentos especializados e toram treinados como elite, os profissionais, em geral, também tendem a considerar sagrados seus conhecimento em outras áreas. Frequentemente, hesitam em subordinar-se a outros ou em respaldar metas organizacionais que não coincidam exatamente com seus pontos de vista. Esse é o motivo por que a maioria dos profissionais operam como sociedades e não como hierarquias, e por que é difícil para essas organizações a adoção de estratégias unificadas.

(…)

Os profissionais tendem a cercar-se de pessoas com antecedentes e valores semelhantes. Com exceção dos casos de rupturas deliberadas, esse casulos baseados na disciplina rapidamente se transformam em burocracias introvertidas, resistentes à mudança e distantes dos clientes. Considere as muitas organizações de software ou pesquisa básica que se isolaram em organizações maiores, criando conflitos com outros grupos profissionais, como marketing ou produção.

Fonte:QUINN, James Brian; ANDERSON, Philip; FINKELSTEIN, Sydney. Gerenciando o Intelecto Profissional. In: GESTÃO do Conhecimento. 5. ed. Rio De Janeiro: Editora Campus, 2001. p. 174-196. (Harvard Business Review).