No dia 16 de Setembro foi minha colação de grau. Coincidêntemente, foi o mesmo dia que há 5 anos atrás estava na rodoviária pegando um ônibus do Rio de Janeiro de mudança para Florianópolis.
Durante os primeiros semestres do curso de Biblioteconomia tentei ser o mais aplicado possível como estudante. Mas sem deixar de lado que, além de estudante de biblioteconomia, sempre fui um ávido frequentador de bibliotecas, e já possuia uns 7 anos de experiência da Internet. Na época, o lugar comum para troca de informações eram os Fóruns e as Listas de Discussão. Participei de várias. Antes de entrar no curso, listas de filosofia, ciência, cinema e literatura. Depois do curso, lista da turma, assossiação profissional, listas temáticas, etc.
Na minha verdade, minha tentativa era explorar e conhecer ao máximo a Biblioteconomia. Entender um pouco seu potencial e limitações. Coloquei-me ao mesmo tempo na pele de usuário, político e empresário para pensar: porque eu entraria em bibliotecas, porque investiria em bibliotecas, porque contrataria bibliotecarios?
Fiz parte do Centro Acadêmico do Curso de Biblioteconomia da UFSC, Projeto de Extenção, Bolsa de Iniciação Ciêntífica, Bolsa de Monitoria, Estágios, etc. Participei de 3 encontros Regionais e 1 encontro Nacional. Isso até básicamente os últimos semestres do curso.
Então eu desistí. Percebí que a Biblioteconomia nacional vive em uma espécie de limbo umbiguista, que apenas se retro-alimenta. O mesmo discurso. As ideologias antigas. Idéias emprestadas. Falta de inovação e burocracia. Além de um sistema acadêmicamente hierárquico que se repete nas esferas públicas da profissão.
Comecei a buscar uma Biblioteconomia em que pudesse acreditar. Uma Biblioteconomia centrada nos usuários, centrada nos serviços. Em que os Bibliotecários não seriam os gestores de unidades de informação (meios-técnicos), mas formadores de comunidades para troca de produção de conhecimento, promotores de cultura, formadores de usuários, etc (fins-liderança).
Então nos últimos semestres do curso, partilhamos leituras, questionamentos, idéias. Comeceu a ler artigos intrigantes sobre problemas biblioteconomicos reais, ou seja, abandonando então 95% da literatura produzida nacionalmente. Ignorei os clássicos também, diversos deles – afinal de contas, se não ajudaram a servir de inspiração para bons serviços, então estavam errados.
Agora sinto-me melhor formado, 15% da minha formação foi em sala de aula, 85% buscando, testando, criando, brincando, lendo, informalmente, com amigos, mestres e vontade. Acredito que este seja o futuro da formação. A acadêmia precisa estimular mais a autonomia intelectual, a flexibilidade, busca por novas soluções para velhos problemas, e não o formalismo e a burocracia intelectual.
Quem sabe assim, um dia, poderemos ter no país uma rede de profissionais aberta, transparente, crítica, inovadora, como a exemplo da biblioteconomia em outros países. Uma tradição liberal e humanista. Que nossa biblioteconomia ainda precisa descobrir o que significa.
De qualquer forma, considero a turma que se formou comigo na universidade exemplar. A divisão equilibrada entre homens e mulheres, idades, perspectivas, criou um ambiente super favorável ao debate e a troca de idéias. Desta turma diversos alunos tem servido de exemplo com iniciativas louváveis em diversas áreas de atuação. Sentirei falta de todos vocês em sala de aula.
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show de bola caruso! parabéns e boa sorte!
Parabéns cara, mas não desiste. O titio Popper já dizia que somos estudantes de problemas, a biblioteconomia é o seu, então resolve essa porra. Tô com você até o final.
Olá Fabiano,
Estou cursando o quarto período de Biblioteconomia na UFMG e posso dizer que você descreveu muito bem o que sinto.
É importântes que tenhamos iniciativas como a sua (de escrever um Blog) para que um dia a biblioteconomia brasileira possa sair desse “limbo umbiguista”…
Parabéns!
Abraços…
espero poder ver as ‘coisas bonitas’ que você fará no futuro.
meu apreço pelo tempo que devota a seus projectos online e que enriquecem o espaço virtual.
abr,