Eles sabem o que está acontecendo?

by Fabiano Caruso on outubro 31, 2006

Há três tipos de pessoas: pessoas que fazem as coisas acontecerem, pessoas que assistem as coisas acontecerem e pessoas que se perguntam o que aconteceu.

A minha impressão quando vejo alguns trabalhos apresentados em eventos, comentários de alunos, e o tipo de serviços desenvolvidos é que a representação que os Bibliotecários tem sobre os serviços e um modelo de comunicação para a internet é o mesmo de 10 anos atrás. Um modelo que não está orientado para o desenvolvimento de comunidades e uma melhor relação com as pessoas. Mas sim, o modelo que simplesmente leva o pior dos serviços de bibliotecas físicas – controle, políticas, mal atendimento – para o ambiente online.

Também não adianta resolver tentar se antenar e começar a criar um grupo de pesquisa, tentar escrever um artigo, ou inventar um novo modelo de biblioteconomia para ambientes virtuais. Porque se você começar desta forma, está seguindo exatamente o modelo oposto que este ambiente previlegia.

O que é preciso não são novas teorias, mas novos serviços e soluções. Não mediação e hierarquia, mas participação, envolvimento no cotidiano das pessoas e da comunidade. Não existe mais espaço para o profissional, grande imperador da mediação sentado no trono do alto da pirâmide.

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Carla outubro 31, 2006 às 9:06 pm

é que somos educados pra isso.

os professores insistem que devemos ser mandões, chatos e inconvenientes. daí o perfil do profissional ser… este mesmo que tu descreveste.

na minha aula de fontes, por exemplo, aprendemos que precisamos dar a informação certa pras pessoas e blá blá. nunca a professora disse que devemos ensinar o suáro a usar as bases de dados! conhecemos as fontes, ótimo! precisamos é mostrálas ao usuário. ó querido, a pesquisa tá aqui. eu usei essa e essa base, esse e esse periódico, esse fórum de discussão – por que não? o bibliotecário precisa deixar de ser medroso. não é porque tu ensinas o usuário a pescar que ficará sem emprego!

concordo contigo: temos que mudar um pouco a postura… só que acho que sim, isso deve ser debatido em eventos, artigos devem ser escritos a respeito. pra que as dinossauras, no mínimo, comecem a parar de atrapalhar a nossa formação com esse gesso todo.

Caruso outubro 31, 2006 às 9:19 pm

Ensinar a utilizar as bases de dados é fundamental. Mas acho que um dos maiores absurdos é esta ligação do profissional apenas com as bases de dados e fontes de informação científicas (estaremos todos sendo formados para trabalhar em bibliotecas universitárias apenas?). E analisando todo o tipo de problema informacional que os usuários enfrentam, qual é a parcela da nossa grande massa semi-analfabeta que precisa das informações das bases de dados científicas? Ou seja, forma-se especialistas em sustentar as instituições que garantem o emprego dos professores e pesquisadores, e não em pensar os problemas reais das pessoas… bom, este comentário vai render um post. Acho que vou criar uma categoria no blog só para entrar nas ementas das disciplinas na universidade e criticar o ensino…

Dulce novembro 18, 2006 às 10:38 am

Já se disse que do caos nasce a ordem. As “disciplinas”, pelo próprio conceito do termo, procuram colocar em ordem o caos. Assim, vejam que não é tão abominável a sua existência. Não defendo a disciplinarização, pelo contrário, mas precisamos reconhecer a necessidade da existência de um mínimo de ordem, para depois, ordenadamente desconstruí-la.
Na atualidade está ocorrendo um padrão de rompimento de barreiras, catalisando mudanças rápidas e inexperadas. Nunca a humanidade esteve diante de tão grande número de mudanças ao mesmo tempo.
No texto acima fala sobre alguns trabalhos apresentados em eventos mostram um “tipo de serviços desenvolvidos é que a representação que os Bibliotecários tem sobre os serviços e um modelo de comunicação para a internet é o mesmo de 10 anos atrás”, é necessário considerar que a internet é uma tecnologia extremamente recente, mas de uma versatilidade e mutação constantes. Até porque há apenas 10 anos começamos a interagir com a internet. Na verdade, amigos, precisamos mudar o nosso conhecimento, a nossa mente freqüentemente, seja em 2006 ou em 2016. Por ironia, mesmo que o façamos (como estamos fazendo) daqui a 10 anos os colegas estarão comentando que em 2006 éramos dinossauros era digital. Esta é a beleza da evolução do conhecimento… sua permanente mutação diante da inquietude da humanidade.

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