A Cauda Longa, Serviços de Informação, Profissionalismo

by Fabiano Caruso on junho 1, 2007

No ano passado Chris Anderson publicou o livro “A Cauda Longa” de Chris Anderson. Recomendo a leitura deste livro para qualquer tipo de profissional da informação. Existe uma explicação básica do conceito no verbete cauda longa na wikipédia.

A idéia da Cauda Longa para o desenvolvimento de serviços de informação é a seguinte. Ao invés de se desenvolverem serviços para bibliotecas, ou baseado nos conceito de tipos de bibliotecas, desenvolvem-se serviços para a resolução de problemas informacionais que não precisam ser necessáriamente de uma comunidade delimitada. Ou seja, ao invés de existir uma Biblioteca Especializada, Jurídica, com uma coleção sobre Propriedade Intelectual. Desenvolve-se um serviço informacional relacionado a Propriedade Intelectual que possa atendr a diversos interessados no tópico (artistas, pesquisadores, advogadores, etc.). E não com conteúdo para atender aos visitantes da biblioteca especializada.

Por isso que ressaltei que o conceito de tipos de bibliotecas é uma espécie de miopia de marketing. Na era da escassez da informação, pensar a construção de bibliotecas era a alternativa mais inteligente, pois otimiza-se o acesso a pouca informação para o maior número de pessoas. A questão é que em uma era de abundância informacional, a situação se reverte. Ao invés das bibliotecas servirem como estímuladoras da inteligência coletiva, elas são fomentadoras da ignorância coletiva. Ou seja, dependem que as pessoas sejam ignorantes informacionais para que possam continuar prestando serviços.

Evidente, que bibliotecas não são apenas provedoras de serviços, mas são ambientes que permitem que, e defendem a noção de que nem todos podem adquirir e ter acesso aos livros. Como os livros são essenciais para a formação dos indivíduos – tecnologias fundamentais para acesso a informação – precisa-se que se invistam em bibliotecas. Mas principalmente por questões econômicas e de poder aquisitivo para compra de livros, etc.

Mas e no dia é que a maioria da população tiver acesso aos livros? Por exemplo, com algum tipo de tecnologia de baixo custo que permita que livros sejam acessados como música? Do mesmo tipo de revolução que aconteceu com a indústria fonográfica.

Bibliotecas dentro do modelo que estamos habituados a lidar vão continuar precisar existindo? Não tenho as repostas. Mas o mais importante é pensar que as bibliotecas existem para as pessoas. E infelizmente, muitos profissionais pensam que as bibliotecas existem, simplesmente porque são boas. E este tipo de pensamento é um tipo de dogma, e muito perigoso. Porque representa muito disperdício de investimentos, que poderiam ser aplicados de forma mais inteligente.

Por isso que acredito que a função primária dos profissionais não seja a de organizar conhecimento, criar bibliotecas, repositórios, etc. Muito menos lidar com a informação. Mas sempre compreendí a biblioteconomia, e os bibliotecários, como profissionais que se identificam através de um mesmo compromisso ético.

Interpreto-o como sendo o de zelar, promover e estimular a autonomia intelectual das pessoas (que foi a razão da criação das primeiras bibliotecas públicas). Lí que alguns autores gostam de defender que bibliotecas formam comunidades – ora, igrejas também formam comunidades – a questão é, que tipo de comunidades?

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luisa alvim junho 4, 2007 às 11:03 am

Agradeço a tua reflexão sobre a cauda longa e as bibliotecas. Forneces uma série de tópicos que me servirão para avançar neste conceito. A tua última questão, que tipo de comunidades as bibliotecas formam?, servirá de mote para reflectir nos próximos tempos. Obrigada pela resposta rápida, e desculpa o meu feedback ser tardio.

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