Consideremos que o papel fundamental das bibliotecas é o de estimular conversações. Entre os autores de livros e seus leitores, e entre leitores e leitores.

Desta forma os livros são o recurso tecnológico utilizado pelos bibliotecários para estimular estas conversações. Os livros são o principal ativo das bibliotecas.

Mas então temos a internet, outro recurso tecnológico que pode ser utilizado para estimular as conversações, entre os autores de livros e leitores.

A diferença é que os autores de livros não tem mais os livros como único recurso tecnológico para transmitir suas idéias. Eles poderiam publicar um livro integralmente em um wiki por exemplo. Ou então, em partes através de um blog.

Evidente que o livro é um recurso tecnológico consolidado. E que não acredito que será substituido por outro recurso.

Pensem seriamente em uma coisa, se o livro é apenas um recurso, porque vocês não podem parar de pensar a internet como apenas mais um recurso de controle bibliográfico? Como apenas um meio para disseminação de catálogos coletivos, etc.

Alguns poderiam falar que, a grande massa informacional na internet é lixo sem qualidade. Mas não são também grande parte dos livros publicados a mesma coisa? Não é por exemplo, o papel de uma política de desenvolvimento de coleções poder resolver este problema?

Talvez eu queira demonstrar que, os bibliotecários deveriam estar fazendo coisas mais interessantes, através da compreensão sobre o que realmente representa a internet e as tecnologias colaborativas emergentes para as conversações.

Não se trata apenas de aproveitar os recursos para dar uma animada nas bibliotecas tradicionais. Trata-se de assumir que estes recursos podem ser utilizados para que serviços de informação de qualidade sejam desenvolvidos, para suprir necessidades informacionais de comunidades de interesse, sem barreiras, sem fronteiras.

Parem de se destrair com certos brinquedinhos, eles servem para nos mostrar potencialidades, mas não significa que devemos levá-los tão a sério.

Temos a oportunidade de criar algo inédito, estimular novos modelos de autoridade, aprendizado, conectividade, como fomento para a inovação e a criatividade, seja em cultura, ciência, design, tecnologia, filosofia.

As palavras-chave não são apenas: ipod, myspace, aim, … isso faz-nos parecer apenas geeks empolgados.

Mas existem palavras emergentes, que podem render excelentes serviços de informação: long tail, open culture, democratizing innovation, relationship economy, social design, personas, wiearchy, e muitas outras.

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