No Brasil existe um certo dilema latente. Biblioteconomia, Gestão do Conhecimento ou Ciência da Informação? Se for para escolher entre estas novas duas opções prefiro continuar com a primeira. Em um tópico no Fórum da ExtraLibris sobre Identidade, escreví um pouco sobre este problema antigo.
A Europa foi feliz em estabelecer a substituição do nome na Europa de Biblioteconomia e Documentação para Informação e Documentação, conforme comentado anteriormente.
Convencionar a mudança de nome das graduações em Biblioteconomia para Ciência da Informação é a meu ver um mero oportunismo acadêmico. Existe uma fragilidade nacional no que se refere a união de profissionais para troca de experiências e soluções relativas aos problemas cotidianos em unidades de informação. Confundir o tipo de pesquisa da Ciência da Informação (humanas), com o tipo de pesquisa necessária em uma graduação em Biblioteconomia (sociais aplicadas), significa enterrar qualquer possível modelo de participação e inovação fora das esferas acadêmicas.
O amadurecimento de uma área depende da troca entre esta comunidade de profissionais, especialistas, pós-graduandos, professores, etc. Quando a representação dos profissionais é sempre subordinada ou depende de um respaldo hierárquico dos acadêmicos para a manutenção de seu exercício é sinal de que nosso modelo de ensino não é focado na autonomia intelectual e empreendedora dos estudantes.
O que as vezes me impressiona é este apego a autoridade típico do ensino de nível médio que não se desfaz na universidade. A autonomia crítica, colaboração, ceticismo organizado, não é o lugar comum. Mas existe uma espécie de culto da nova era – em que cada um escolhe o seu pastor favorito e o segue até a pós-graduação (ou então se liberta quando passa em um concurso público).
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Sim, é verdade. Mero oportunismo, mas isso se deve ao fato do curso e profissão não serem valorizados e, porque não, consolidados. Nossa classe é frágil e a meu ver, em sua maioria, desinuda. Um gancho como esse ganha repercussão. Achei também que a Europa está entendendo o momento que estamos vivendo ao adotar um novo nome. Nosso curso precisa adotar medidas e considerar o momento em que vivemos. Biblioteconomia hoje tem um foco diferenciado. Será que por conta disso deve adotar um outro nome? (o foco não mudou, continua a informação, mas é diferenciado porque não se resume a livros e mídias impressas). Concordo plenamente quando afirma que a área depende dos profissionais que ainda estão perdidos no meio do caminho sem saber onde se encaixar. Mas como conscientizar as pessoas e principalmente os profissionais de que o bibliotecário não está restrito à biblioteca?
Estamos iniciando e coordenando um grupo (ou comissao?) no CRB 8 para discussao e debate sobre esse assunto. Queremos ouvir toda a categoria ..
Um abraço de
Flávia Lobo
CRB 8/ SP