A minha resposta a abordagem provocativa

by Fabiano Caruso on outubro 22, 2007

1. Educar o usuário não funciona.

Atualmente os biblotecários no mundo tem aprendido com a nova geração (millenials) do que ensinado. E ao invés de tentar educá-los a consumir seus maus serviços, tem aprendido com eles como desenvolver serviços melhores.

2. Catálogos de bibliotecas são obsoletos.

A regra atualmente é = nunca, nunca pague por um sistema de automação de bibliotecas. Primeiro porque os sistemas atuais – no Brasil – ainda operam baseados nas funcionalidades e requisitos que foram pedidos tradicionalmente em bibliotecas (facilite a vida do bibliotecário, não a do usuário).

Devido a rápida mudança, acaba valendo muito mais a pena investir em uma soluções opensource e concentrar os recursos em outros serviços. Na minha experiência, preferí muito mais investir em um OpenBiblio, porque o catálogo é secundário em relação aos outros tipos de serviços (e principalmente desenvolvimento de coleções).

Mas atualmente visualizo uma biblioteca sem sistema de automação. Utilizando apenas plataformas de Blogs, Wikis e Social Bookmarks com a sua comunidade. Que é o que muitas organizações já estão começando a utilizar como soluções para gerenciamento de projetos e documentação, e que pode ser utilizado em bibliotecas para gerenciamento do acervo, e das informações relacionadas a comunidade (breve darei exemplos mais concretos).

3. O Serviço de Referência está morto.

O serviço de referência mais generalista representa hoje que o seu leitor ou é um analfabeto funcional, ou tem preguiça intelectual. Em uma era de abundância de informações existe um campo interessante para serviço de referência altamente especializado. Ou seja, ser muito bom em um campo do conhecimento, e principalmente dominar uma segunda lingua.

4. Biblioteconomia não é uma ciência.

O ensino de Biblioteconomia tem sérios problemas, muitas vezes devido a influência intelectual da Ciência da Informação. Ou seja, ensina-se o estudante a ler muitos artigos, a escrever muito, muitas vezes a partir de autores superficiais e passados. Quando o estudante deseja seguir a vida profissional, muitas vezes acaba limitando-se a uma experiência técnica.

5. O Google vence.

Em recuperação da informação não dá para competir com o Google. Pelo menos na preocupação em relação a busca de 99% da população. Alguns profissionais adoram falar em autoridade, consistência, etc. Como se a grande massa dos usuários estivesse preocupada com isso. É como se todos estivessem tentando viver no que chamei anteriormente de “essencialismo institucional”. Ou seja, a idéia de uma biblioteca ideal, que orgnaniza tudo, para tudo ser recuperado de forma eficaz.

É importante ressaltar que esta abordagem é emergente e de países de primeiro mundo principalmente. Onde geralmente existe uma cobrança de responsabilidade em relação ao impacto social da profissão. E a própria categoria profissional inventiva a inovação e a auto-crítica. No nosso caso, culturalmente o sistema serve para tentar alimentar o sistema. Ou seja, até onde pode-se ir ao máximo, sem inovação, sem preocupação com os outros. Como conseguir alinhar estabilidade profissional e promessa bonita. Geralmente colocando a política e a ideologia acima da experiência real das pessoas com os serviços de informação.

A comunidade ao invés de cobrar por melhores serviços simplesmente os ignoram, buscando outras alternativas. E o que acaba acontecendo é que o mercado absorve o profissional de forma superficial por um lado (bibliotecários cuidando de arquivos, fazendo trabalhos burocráticos, etc.). E por outro lado, a massa que tenta se qualificar mais é absorvida por concursos públicos, e entram em sistemas completamente burocráticos e que sufocam a inovação.

Provavelmente o mais importante: esta percepção é baseada em uma dinâmica de serviços em uma sociedade hiperconectada. Ou seja, baseado na percepção de uma parcela da população de países de primeiro mundo que tem acesso a internet. E evidente, o que não é a nossa realidade como um todo.

Quando os profissionais percebem que, existe uma elite na sociedade que tem acesso a melhores recursos e serviços de informação, e que através deles está tendo um melhor processo de aprendizagem, está tendo uma vida mais produtiva, criativa, inteligente. Os profissionais não podem ignorar e pensar: a minha comunidade não precisa disso, a realidade deles é outra. Ou então – pior – não preciso aprender, inovar, tenho o meu espaço garantido e ralei muito para chegar aqui. O que acontece é que os profissionais de uma categoria que precisa ampliar as oportunidades para que a sua comunidade tenha cada vez mais opções de escolha – e não viva de faltas promessas e paternalismo barato – acaba tornando-se o maior fomentador deste abismo cultural.

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Fabiano Jucá outubro 23, 2007 às 7:57 am

Imagine o Caruso falando isso tudo num desses mofados congressos de Biblioteconomia, eheheh! Ia ser só pena voando!!! :D

Eu poderia até dizer que você é um visionário, mas acho que não se aplica. Você apenas usa seu cérebro! Isso por si só já é uma inovação na engessada Boboteconomia :)

Arnaldo Ricardo do Nascimento outubro 23, 2007 às 9:57 am

Olá Fabio Caruso gostei muito do que vc escreveu no seu site é muito interessante e vc aborda problemas da área por muitos sentidos e vivenciados, mas vejo que trabalha p. apontar soluções e é isso que estams esperando e sentindo a cada dia. Fiquei muito interessado qunado falou de blogs p. servirem nas biblioteca sem sistema de automação. Utilizando apenas plataformas de Blogs, Wikis e Social Bookmarks. De mais isso promete muito!

Fabiano Caruso outubro 23, 2007 às 10:13 am

Fabiano. Não tenho opinião formada em relação aos congressos de biblioteconomia. Parece-me que tem muita gente boa por ai realmente interessada em fazer diferente, só que é complicado…

Arnaldo. Eu tenho experiência prática com blogs, wikis e social bookmarks como suporte a comunidades de pesquisa e desenvolvimento. Mas a minha fronteira final foi o catálogo da biblioteca. A princípio eu conseguí resolver parte do problema com uma solução opensource. Mas mesmo esta solução é baseada em requisitos tradicionais da biblioteconomia (AACR2, MARC21, etc.). Durante um certo tempo pensei em trabalhar no desenvolvimento destas soluções para agregar recursos centrados na comunidade (tags, etc.). Mas acabei percebendo que o melhor na verdade é a operação inversa: utilizar as tecnologias colaborativas e agregar nelas serviços de bibliotecas (por exemplo: controle de empréstimos).

Como ainda estou pesquisando as possibilidades tenho evitado escrever sobre o assunto. Mas para se ter uma noção o impacto sobre o campo é imenso. É um “reboot” na Biblioteconomia.

Fabiano Jucá outubro 24, 2007 às 9:09 am

Vero, natural que muitos dos participantes de congressos sejam pessoas que procuram ir “além” da linha média, e muitos ainda utilizam esses eventos como uma forma (paradigmática, quase dogmática) de atualização, pois no Mundo 2.0, não há necessidade alguma de se deslocar para se atualizar. O melhor mesmo acaba sendo o network, por assim dizer.

Isso também merece uma boa análise, eheheh. Mas faz uns 3 anos que não participo de nenhum dos eventos convencionais, por considerar desperdício de dinheiro público solicitar diárias e que tais à Universidade que represento…

Daniela agosto 12, 2008 às 3:40 pm

Oi Fabiano quero desenvolver um projeto para criação de um blog aqui na biblioteca universitária que coordeno. Tens algum de modelo para mim? Algun case? Alguma bibliografia específica sobre o assunto?
Aguardo,

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