Acabei de ler no Blog do Sérgio Rodrigues um artigo sobre a relação entre a Literatura e a “capacidade de imaginar o outro” citando Amóz Oz. Captou exatamente o que acredito ser o principal valor da boa literatura.
Quando as pessoas buscam leituras de auto-ajuda, ou literatura de entreterimento, acredito que estejam fazendo uma leitura de auto-afirmação, muitas vezes baseadas na crença de que um livro é algo bom per sí, e que leitura é sinônimo de status. O livro é apenas um amuleto da própria ignorância. A leitura de passatempo não é a mesma coisa do que a leitura reflexiva.
Penso que este tipo de experiência de “imaginar o outro” proporcionada pela boa literatura é de certa forma ofuscada pela busca espiritual. Não são os video-games, cinema e música que competem com a literatur, é simplesmente a falta de senso de auto-descoberta. A questão é que geralmente são as religiões que preenchem esta lacuna. As pessoas buscam pela sabedoria em literatura religiosa, e não na literatura ficcional.
É por isso que não acho que programas de incentivo a leitura gerem muito resultado relacionado ao principal benefício de uma boa leitura. A busca pela boa leitura não é geralmente compatível com a disseminação de experiências coletivas.
Acredito que o gosto pela leitura está diretamente ligado a afetividade. Está provado que o gosto pela leitura é adquirido na infância pela contação de história dos pais para os filhos ou por familiares que a criança ama e estes estão sempre a ler algo em sua presença. Quando dizemos que não gostamos de terminada disciplina, na verdade não gostamos mesmo é do professor que a ministra. Concordo com Fabiano Caruzo quando afirma que o vídeo-game não é o principal concorrente da leitura, mas sim, a própria família que não construiu esse gosto na criança.